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Sirenia – Perils Of The Deep Blue

A degustação de Perils Of The Deep Blue começa de imediato pela beleza do aspecto gráfico do álbum. A capa é da autoria de Anne Stokes, artista gráfica celebrizada pelo seu trabalho em RPGs, nomeadamente, o afamado Dungeons & Dragons. A arte gráfica é ilustrativa e um convite para a música no interior do disco, uma vez que expressa não só a identidade da banda, mas também a temática principal do álbum.

O guitarrista/vocalista Morten Veland, secundado por Ailyn (entrevista Rn’H disponível aqui), volta a catapultar a sua banda para a ribalta com um novo trabalho que traz mais alma e um novo fôlego aos Sirenia.

No competitivo universo do “Female Fronted Metal” de cariz gótico/sinfónico parar é morrer e a estagnação espreita ao virar da esquina. Ciente desse perigo, Morten aposta forte neste Perils Of The Deep Blue e, geralmente, acaba por sair vencedor, visto que a banda parece mais sólida, assertiva e coesa neste disco.

Comos podemos verificar pela recente entrevista que fizemos a Ailyn, a comunhão entre os dois vocalistas foi mais estreita neste trabalho e esse facto parece determinante para o sucesso do disco, visto que a voz de Ailyn parece agora rejubilar com outro fulgor, sendo que os diatribes vocais ao estilo “beauty & the beast”, um lugar comum do género, surgem com outra ductilidade melódica, contribuindo para uma “performance” muito mais harmoniosa.

Canções como “Seven Widows Weep”, ”Ditt Endelikt”, “Darkling” ou “My Destiny Coming to Pass” demonstram a qualidade e diversidade deste universo musical que parece apostado em se reinventar através da inclusão de cambiantes melódicas que tendem a fundir diversas sonoridades numa mesma estrutura homogénea.

Perils Of The Deep Blue corresponde assim, na nossa opinião, a um marco na carreira dos Sirenia, visto que demonstra que a banda está agora a viver um momento áureo conseguindo transmitir, da melhor forma, uma plenitude de emoções através da música.

Análise de Rui Carneiro