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SIStema + Templários do Rock [Heaven’s, Porto]

Sob o signo da camaradagem, é talvez o epíteto que perdura sempre que vem à memória o concerto dos SIStema e Templários do Rock, no passado dia 11 de outubro, no Heaven’s Club, no Porto. As bandas apresentaram-se num espírito de grande união e cumplicidade, não só entre si, mas igualmente com a plateia de cerca de quarenta pessoas, que não se inibiram de interagir com os músicos e mostrar entusiasmo, criando um verdadeiro clima de festa.


Os Templários do Rock, a caminho dos dez anos de existência, encaram cada concerto como uma celebração, injetando vigor e não descurando pormenores. Quem assistiu, no último par de anos, às atuações desta banda no Heaven’s Club, conhece as “procissões” prévias ao concerto, que iniciam à meia noite junto ao cemitério do Prado do Repouso, e que se subordinam sempre a um tema diferente: desta vez foi a procissão dos Vikings, com passo estugado devido à chuva, que ainda assim não arrefeceu os entusiasmos, não apagou as velas que fazem sempre parte, nem enferrujou os capacetes viking que vincaram o conceito da caminhada de cerca de um quilómetro. Chegados ao palco, puderam mostrar-se com uma formação profundamente renovada, com a entrada do baterista Bruce Solom, do baixista Bruno “Viking” Gomes, e do guitarrista Roger Campos (também dos Secrecy) a fazer dupla com o outro Roger, sendo este o único membro a transitar da última formação, a par do Templário Lourenço, vocalista e frontman, que na impossibilidade de percorrer o estreito palco, “invade” a plateia e estende o microfone à assistência para cantar. Referindo constantemente que esta é a melhor formação de sempre dos Templários, a banda debitou um som fortíssimo ao estilo “louder than everything else”, consentâneo com o espírito que a banda revela neste momento. Com um set definido mas não indiferente às solicitações do público, desfilaram durante uma hora temas como “(Injeta o teu) Veneno”, “Vampiros do Rock’n’roll” ou o hino “Templários do Rock”.


Os SIStema, banda da Parede e atuando pela primeira vez no Porto, tomaram o palco para saudar primeiramente os Templários pela ansiada estreia na Invicta, e arrancando, já perto das quatro da manhã, com “Perdido no mundo”. O som desta banda, cruzando o punk melódico com rock hard & heavy, deu-se a mostrar num alinhamento muito baseado no álbum Caos, do ano passado, a contribuir com temas como “Lucifer”, “A vida tem sentido”, “Que vou fazer”, ou a emblemática “Copo na mão”, uma referência à descontração da banda, patente até mesmo no suporte do microfone apetrechado com apoio para a garrafa de Super Bock. Se o vocalista e baixista Raffa foi fazendo as “honras da casa”, os guitarristas estiveram mais discretos mas nem por isso menos preponderantes (João Simões foi o “quiet man”, enquanto Fininho fazia lembrar Slash o tempo todo), e o baterista Alex a “suar as estopinhas” – literalmente.

Não foi preciso esperar pelo fim da atuação dos SIStema para que as bandas se misturassem em palco – uns subiam, outros desciam, a certa altura Roger Campos toma conta da bateria, trocam-se instrumentos, o público é quem mais ordena, interpreta-se “Enter sandman” com um vocalista saído da assistência… Não foi caos, foi festa a noite toda. Porque não há noites assim todos os dias.


Fotografia e Texto por João Fitas

Agradecimentos:Templários do Rock | Heaven’s Club | Sérgio Pereira