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Sister Sin [Abril 2013]

Hoje, Liv “Sin” Jagrell é a convidada especial nas páginas da Rock n’Heavy, e ainda mal refeitos da beatitude pascal, nada melhor do que voltarmos à esteira do pecado pela voz de uma verdadeira diva oriunda do insigne panteão do heavy metal. Ela dá voz aos Sister Sin que lançaram a 23 de outubro de 2012, via Victory Records, o álbum “Now and Forever”, mas hoje as palavras de Liv Jagrell são exclusivamente para a Rock n’ Heavy.

Antes de mais, Liv, quero expressar a nossa gratidão pela oportunidade de te entrevistarmos para a Rock n’ Heavy.

Nasceste em Laholm, no sul da Suécia. Curiosamente, as tuas primeiras referências musicais foram figuras do som de Seattle e do Grunge como Kurt Cobain e Courtney Love. Será que podias falar um pouco acerca da tua adolescência em Laholm, e revelar como descobriste que queria ser uma estrela do rock?
-Vou dar o meu melhor! Os meus pais sempre foram muito criativos, a minha mãe é poetisa e o meu pai pintor e, além disso, ambos tocam música, assim sendo comecei a tocar muito cedo, mas, na verdade, nunca gostei muito de piano, flauta e todas essas coisas. Então, quando tinha 14 anos, comecei a ouvir Nirvana e depois descobri Hole, a partir desse momento sabia que era isso que queria fazer! Se ela consegue tocar guitarra e ser tão “cool” e se ainda por cima é uma mulher, então eu também posso fazer o mesmo. E desde então nunca mais mudei de opinião.

Depois, em 2002, que mudaste para Gotemburgo. Como é que te juntaste aos restantes músicos dos Sister Sin? E porque é que escolheram esse nome para a banda?
-Eu coloquei um anúncio numa revista dizendo que estava à procura de uma banda de rock, e recebi uma resposta do nosso ex-guitarrista, que queria mesmo que eu fosse a uma audição. No entanto, ele também me disse que era o único na banda interessado numa vocalista feminina haha. Mas concordamos todos em fazer a experiência e, logo que a minha audição terminou, todos disseram que eu estava na banda se quisesse, logo acho que fui melhor do que todos os rapazes que eles ouviram. O nome Sister Sin é retirado do título de uma música da banda sueca dos anos 80, Machine Gun Kelly.

Gotemburgo foi o berço do Death Metal melódico dos anos 90, que teve uma enorme influência no Metalcore e Hardcore. No entanto, Sister Sin seguiu um caminho diferente, privilegiando o hard rock e o metal mais “old-school”? Como foram esses tempos em Gotemburgo, 2002, enquanto fora das fronteiras da vossa pátria muitos enveredavam pelo “Sweedcore”, e os Sister Sin permaneciam irredutíveis e fiéis às raízes?
-Yeah houve alguns anos difíceis, quando ninguém queria ouvir a música que tocávamos, mas depois de alguns anos, houve uma espécie de revivalismo “sleaze” na Suécia e as pessoas começaram a ouvir música mais “old school” de novo, e a partir desse momento acho que há um regresso às raízes em termos de sonoridades que se torna cada vez mais popular hoje em dia, é claro que tens de trazer alguma novidade e não apenas copiar bandas antigas, mas tu percebes o que quero dizer. O Rock está na mó de cima, ainda que não seja como nos anos 80 obviamente, mas os fãs ainda estão por aí e as bandas continuam a lutar pela música.

Mas, em 2003, deixaste Gotemburgo e foste para Estocolmo, outra importante cena musical, onde os Entombed eram uma referência. Lá formaste as “Hysterica”, uma banda de heavy metal inteiramente no feminino. Daí eu achar que aquela história de seguir o líder não se coaduna muito com o teu feitio, certo? Ainda assim, mais tarde, tiveste que fazer uma escolha, o que foi que te fez optar pelos Sister Sin em detrimento das Hysterica?
-Sempre senti que os Sister Sin são a minha família, os meus irmãos e eu nunca os deixaria para trás, e as coisas não podiam ser de outra forma. Não me interpretem mal, caramba, eu diverti-me à grande nas Hysterica! Passamos grandes momentos nos ensaios e a fazer música, éramos só 6 raparigas a curtir, e a rir desvairadamente. Mas quando percebi que não poderia fazer parte das duas bandas, escolhi aquela que eu sentia que era a minha casa e cuja música estava mais próxima do meu coração.

Os Sister Sin estão agora no rescaldo do lançamento de “Now and Forever”. Tive a oportunidade de analisar o álbum para a Rock n’Heavy e, de facto, ele soa mais complexo e intrincado que o explosivo e trepidante “TSU”? Será que a banda procurou uma abordagem mais passional e desafiante no novo álbum?
-Yeah isso é verdade. Nós sentimos que precisávamos e queríamos fazer algo que estivesse para lá da nossa zona de segurança, tentar trabalhar mais as melodias, as dinâmicas e a produção. Este é o nosso 3º álbum, portanto não nos podíamos repetir de novo, caso contrário tornava-se chato para nós e para os fãs. Mas acho que fizemos um bom trabalho mantendo o sentimento e a sonoridade dos Sister Sin, mas ainda assim fazendo algo um pouco diferente!

Recentemente “Fight Song” foi divulgado como segundo single, depois de “Hearts of Cold”, Na análise, destaquei que “Hearts of Cold” é um valente murro na cara, mas é “Fight Song” que nos manda ao tapete logo no 1º round! Que nos podes dizer sobre essas canções e sobre o seu significado?
-De facto, este é o terceiro single, sendo que “End of the Line” foi o primeiro, até porque achamos que esse devia ser o primeiro antes que o ano de 2012 terminasse, dado que é baseado naquele sentimento apocalíptico. E que “Hearts of Cold” seria o número 2, acima de tudo porque tínhamos uma ideia fantástica para esse vídeo, e claro que a consideramos uma boa canção. Mas, yeah “Fight Song” é, sem sombra de dúvida, um dos meus favoritos e estou tão feliz por termos conseguido fazer um vídeo com ele.

Quais são as tuas canções favoritas no novo álbum?
-De certa forma já respondi a essa questão, não foi? Haha. Mas yeah, “Fight Song” é uma das canções mais enérgicas e divertidas para tocar ao vivo, logo essa é uma das minhas escolhas, a outra é “Chosen Few”, já que acho que tem uma letra muito boa e profunda e muito sentimento, e adoro cantá-la em palco.

Os Sister Sin têm por hábito presentear-nos com grandes vídeos ” Hearts of Cold ” e “Fight Song” são os exemplos mais recentes. O primeiro tem uma história algo macabra por trás e cenas interessantes; o segundo mostra toda a tua garra. Como foi gravar os vídeos? De facto, nota-se o teu à vontade diante das câmaras, se fosses convidada aceitavas representar para cinema?
-Haha Obrigado! Estou aberta a sugestões! Mas yeah “Hearts of Cold” exigiu dois dias de filmagens e bastante representação, o que foi algo de novo, mas muito divertido de fazer, passamos bons momentos e a equipa era fantástica. O vídeo para “Fight Song” é, naturalmente, mais fácil e rápido de fazer, sou apenas eu a representar-me a mim própria, como no palco. Na verdade, adoro gravar vídeos, mas para a próxima talvez com um pouco mais de sol haha, raios estava um frio de rachar enquanto gravávamos “Hearts of Cold”. Para a próxima acho que vou escolher a praia como temática!

Liv, neste momento já fazes parte do panteão das divas do heavy metal, combinando beleza estonteante, espantosas capacidades vocais, e uma energia formidável e avassaladora dentro e fora do palco. Além disso, também és uma experiente “personal trainer”, quais são as tuas rotinas de treino e como é que elas potenciam o teu desempenho musical, nomeadamente quanto partes em digressão?
-Obviamente que eu não seria capaz de saltar tanto como faço habitualmente, se não treinasse, por isso acho que ajudou-me muito. Preciso dos meus treinos, é a minha forma de relaxar e esquecer o mundo em meu redor, por momentos. Procuro treinar quatro vezes por semana quando estou em casa, faço principalmente “stronglifts”, ou seja, exercícios básicos como agachamentos, halteres, etc, e vais aumentando a carga sucessivamente. Também adoro treinar com “kettlebells”, assim faço um pouco disso pelo menos uma vez por semana. Quando estou em digressão, ou tenho atuações ao fim de semana, a regularidade será menor, mas tento fazer algum HIIT (high intensive interval training) durante 15-20 minutos, pelo menos duas vezes por semana, só para manutenção.

Entregas-te à música de uma forma muito física e pareces dar sempre o máximo em todos os aspetos da tua vida. Recentemente tiveste alguns problemas com a tua garganta, e foi necessário recorrer à cirurgia. Que se passou e já te sentes melhor?

-Sim, sou prefeccionista, logo estar na melhor forma é muito importante para mim. Desde 2007 que andava a lutar com problemas de garganta ocasionais, e simplesmente as coisas chegaram a um ponto em que tínhamos de atuar, andar em digressão e as minhas cordas vocais não aguentaram, logo a cirurgia foi necessária. Já me sinto muito melhor, mas ainda estou algo receosa que tudo possa voltar, e por isso tento ter muito cuidado comigo e faço imensas coisas para manter as cordas vocais em forma… Por vezes é uma treta e queres é relaxar e deixar andar, mas depois penso nos meus fãs e é para eles que procuro fazer o meu melhor e sei que farei a escolha mais acertada.

O que reserva o futuro para os Sister Sin?
-Espero que possamos passar muito tempo em digressão! Quero voltar aos EUA logo que possível, e também ao Reino Unido, acabamos de regressar de lá e foi ótimo. Em seguida, seria fantástico ir à América do Sul e à Rússia, e ao Japão, quero ir ao Japão. Se calhar, gravarmos um DVD, isso seria divertido!

Será que teremos oportunidade de ver Sister Sin nos palcos portugueses?
-Espero que sim, quero mesmo ir a Portugal, Espanha e Itália – até porque ainda não tocamos aí.

Algumas palavras finais para os vossos fãs?
-Obrigado por nos apoiarem, gostamos imenso de todos! Vemo-nos por aí em breve!

Liv, Muito obrigado por esta entrevista!