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Sixx A.M. – Modern Vintage

Nikki Sixx é mais conhecido como membro dos Motley Crue, mas nos últimos anos tem tido mais destaque enquanto líder dos Sixx A.M., projecto paralelo/super-banda que também serve de lar a DJ Ashba, guitarrista actual dos Guns N’ Roses; este projecto já conheceu dois lançamentos de estúdio, com sucesso moderado, tenso em Modern Vintage o terceiro álbum que não se safa de ser mais do mesmo.

Numa altura em que a banda de sempre de Sixx parece estar perto do fim definitivo, o título deste cd reveste-se de mensagens subliminares, sobre o estatuto de ícone de rock do baixista, em conjunto com o seu desejo de continuar a produzir música fresca agora neste seu “outro” projecto, sem haver necessariamente uma inovação da fórmula.

Se os Motley Crue oscilam entre o Glam Metal e o Hard Rock, os Sixx A.M. sempre foram mais duros e entregaram-se desde o início ao rock pesado, embora os contornos épicos também estejam presentes, como os coros frequentes e os refrões fáceis que tornam Modern Vintage num álbum “de arena” que resultará decerto muito melhor ao vivo e conquistará estádios por toda a parte.

É impressionante, no entanto, que o cd até abra com “Stars”, com uma melodia viciante e um refrão contagiante que a torna nua das melhores músicas rock dos últimos tempos, apenas para ser seguida de “Gotta Get It Right”, uma faixa que tenta passar por brincalhona, mas acaba por ser apenas deplorável.

As letras são para esquecer, como seria de esperar num álbum do género, atingindo o pico do ridículo no refrão de “Get Ya Some” (“Everybody get some/You gotta get some”), mas a verdade é que ninguém ouve Sixx A.M. pela riqueza lírica, antes pelos solos esmagadores e melodias apelativas, algo que também não abunda, mas existe (a guitarra na balada “Drive” é extraordinária).

Quando vestem a sua pele de “Hard Rockers Macho Men”, a banda consegue produzir momentos de grande entretenimento (“Relief” ou “Give Me a Love” são daqueles prazeres inconsequentes que ficam na memória para trautear), mas também consegue soar extremamente preguiçosa em momentos banais como “Let’s Go”, um cliché de música rock a todos os níveis.

Depois de uma excitante “Hyperventilate”, infelizmente a recta final de Modern Vintage é tudo menos memorável, com “High On The Music” a soar tristemente a um tributo/paródia aos Imagine Dragons com umas guitarradas à mistura, “Miracle” a explorar terrenos mais dançáveis com sintetizadores e melodias aprimoradas que servem para um franzir de sobrolho em descrença e pouco mais e a final “Before It’s Over” a parecer mais uma piada privada da banda, que não passa para nós e soa apenas como uma tentativa frustrada de inovar quando não se sabe mais.

Desta forma, Modern Vintage tem alguns momentos entusiasmantes, mas é impossível não notar o desgaste de uma banda que de cada vez que tenta mudar ligeiramente a fórmula, se parece enterrar.