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Solid Spectrum – Spiritual and Carnal

De novo a nossa atenção paira sobre os novos valores do metal nacional e desta vez com SOLID SPECTRUM, um quinteto oriundo de Vieira do Minho, formado em 2007.

A banda entrou em estúdio, em 2010, para gravar o EP de estreia “Spiritual and Carnal”, agora editado pela Kenosis Records, com a produção a ficar a cargo de Guilhermino Martins nos “Blind and Lost Studios”.

De referir que após a gravação do EP, a banda sofreu alterações na formação com as saídas do guitarrista José Lima, que foi substituído por Emanuel Machado, e do baterista Ricardo Silva.

“Spiritual and Carnal” logo no título coloca-nos sob o signo da dicotomia (também visível no nome da banda) entre o material e o espiritual, problematizando sempre a crise de valores característica da pós-modernidade.

Praticantes de um death/thrash bem esgalhado, os SOLID SPECTRUM não deixam os seus créditos em mãos alheias neste “Spiritual and Carnal” e a faixa inicial “All The Noises of a Broken Skull” abre com os canais da distorção em débito máximo, despejando uma torrente eléctrica impulsionada pela voz de Márcio Pinto.

No segundo tema, “Spiritual and Carnal”, pelas palavras corrosivas e no eco das notas debitadas, intuímos os conceitos matriciais de um trabalho centrado no valor intrínseco da liberdade, actualmente coarctado por directrizes, normas e obstáculos determinados pela sociedade. O tema impõe-se como uma crítica directa e corrosiva a um mundo que muitas vezes não passa de uma mera “feira das vaidades” onde o que importa é andar vistoso por fora, ainda que roto por dentro.

“Steps of a Suicidal Travel” contagia-nos com aquele intróito em crescendo, bem definido pelo trabalho ao nível da percussão que progressivamente acelera as BPMs (batidas por minuto). A variação no final do primeiro minuto confere um maior dinamismo ao tema e rompe com a linearidade sonora de forma a vincar a mensagem da banda. Depois de um momento em que imperam as guitarras distorcidas e etéreas, surge novamente uma cambiante melódica e a bateria dispara em velocidade e peso, acompanhada de perto pelos riffs bem esgalhados e contagiantes das guitarras, culminando o tema com um solo eloquente.

“Supreme Cannibalism” é um poderoso manifesto sonoro e Márcio Pinto tem uma prestação irrepreensível, definindo raivosamente cada momento do tema.

“Born to Evil” encerra “Spiritual and Carnal” em alta rotação, tornando claro que os SOLID SPECTRUM têm uma palavra a dizer no seio do metal nacional e não têm qualquer receio de o fazer em alto e bom som. Guitarras a puxarem os decibéis no topo da escala, um trabalho de percussão muito sólido e vocalizações corrosivas fazem deste projecto uma pedra preciosa que convém acompanhar ao longo do processo de lapidação, até porque a banda procura afirmar-se no seio do death/thrash nacional, um circulo onde imperam bandas de qualidade com créditos firmados, sendo que os SOLID SPECTRUM ao longo deste EP exibem o potencial necessário para conquistarem também um espaço singular nesse panorama musical.