Sólstafir + Esben and the Witch + Obsidian Kingdom [Hard Club, Porto]

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Depois de uma noite de death metal com Dying Fetus, a sala 2 do Hard Club ainda se manteve de pé para receber mais uma noite de peso, iniciada com os espanhóis Obsidian Kingdom, que ao fim de alguns anos atravessavam a fronteira para nos visitar.
Este quinteto sofre um pouco de algo que percorre o som espanhol: gostar um pouco de tudo, tentando fazer música em demasia e cruzando estilos.
O resultado nem sempre resulta bem e sentiu-se isso nesta atuação.
Com um som algo épico, por vezes recordando uns Bal-Sagoth menos sinfónicos e mais death Metal.
Mas a mistura já referida, intromete-se aqui e ali e temos uma “Last of the Night” percorrida por solos de guitarra, linha David Gilmour, que alternam com guturais death e sons intensos.
A partir de “Cinnamon Balls” o concerto melhorou, mostrando que o que falta em inspiração pode ser ultrapassado pelo suor e dedicação que os membros do grupo entregam.
No fim, temas como “Fingers in Anguish” ou “Ball-Room” ajudaram a compor um quadro que se antevia pior.


A surpresa da noite seriam os britânicos Esben and the Witch que com quatro temas apenas, conseguiram ficar bem na memória da noite.
Se o trio arrancou muito pop ao som de “Press Heavenwards”, revelou-se de dimensão épica com a soberba “The Jungle”, uma faixa do seu último trabalho, “A New Nature”.
A banda de Brighton conseguiu assim agradar de forma inesperada, encravada entre Obsidian Kingdom e os cabeças de cartaz..


“Das finstere Tal” é um western alemão, deste ano, que se desenrola nos Alpes.
A ideia é estranha, mas não muito afastada da imagem de uns islandeses em palco, vestidos como cowboys e com sons de guitarra próximos do Black Metal.
Sólstafir é o seu nome e esta noite as pessoas estavam no Hard Club por eles e pelo seu último disco, “Ótta”.
Embora já tendo pisado solo nacional mais que uma vez, como recordou o vocalista Addi, esta foi a primeira que o fizeram como cabeças de cartaz e, curiosamente, esta era a última data.
Os islandeses arrancaram com “Köld”, do disco do mesmo nome, de 2009, e ao longo do concerto foram sabendo articular cinco temas do novo disco, com outros tantos (encore incluído) da sua carreira.
Tudo polvilhado de boa música e muito humor por parte de Addi que chegou mesmo a negociar 5 mil euros para não ter de tocar “Fjara”, que acabou remetida para o encore.
Sendo islandeses, como recordou o vocalista, e cantando em islandês, o quarteto desfilou com o Rock com guitarras densas que levavam ao transe.
Addi sempre que largava a guitarra assumia uma postura de inspirada em Axl Rose, mas mesmo assim conseguiu construir momentos hipnóticos, como quando pediu silêncio e entoou o início de “Rísmal” perante uma audiência completamente muda.
O set terminou com um tema sobre areias negras – isso, neve e vulcões é tudo que a Islândia tem para oferecer, segundo Addi – que já deu nome a um disco: “Svartir Sandar”. “Fjara” e “Goddess of the Ages” formaram o encore, num concerto soberbo que teve tanto de intimista como de celebração Rock.



Texto: Emanuel Ferreira / Fotos: João Fitas / Video: Ricardo Silva e João Fitas