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SonicBlast Moledo 2014 [Dia 1]

“Sol, mar, praia, surf, piscina, skate e música!”. Já sabem do que falamos, não sabem? Pois bem, estão certos: é do SonicBlast Moledo e da sua 4ª edição. Com ela, o “Blast” veio em duplicado e o festival ganhou a dimensão de dois dias. A outra grande novidade foi o campismo que este ano se encontrou situado num espaço amplo, perto da praia e com muita sombra, o que tornou a estadia bastante agradável. Os palcos mantiveram-se e as manobras de skate também.


As previsões eram de um fim-de-semana de sol e estas cumpriram-se. A tarde apresentou-se brilhante e calorosa, oferecendo o cenário perfeito para os Solar Corona darem as boas-vindas a portugueses e espanhóis, unidos num só espaço, sem fronteira alguma. “Inner” ou “Outer” (falamos dos dois EP’s da banda, “Innerspace”, de 2013, e “Outerspace”, do presente ano), o espaço do trio barcelense foi bem marcado pelo seu rock psicadélico. Entre riffs e distorções, presentearam o público com uma cover de “The One”, dos Metallica. Ainda que muito focada no próprio registo, a banda aqueceu todos os presentes. Com os mergulhos na piscina à mistura, estava marcado o início da viagem aliciante que foi o SonicBlast.


Chegados de Oviedo, os Acid Mess foram a prova do bom ambiente criado desde o primeiro instante no Centro Cultural. Misturados com o público, entre mergulhos e banhos de sol, chegou a hora de se ocuparem de um dos palcos mais bonitos dos festivais. E assim o fizeram. Descontraídos e com uma boa atitude, mantiveram as coisas interessantes e o público bem atento. O destaque vai para “Mental War”, faixa retirada de “Creedless” (2013), e “Madre Muerte”, do EP com o mesmo nome, que mostraram que este trio tem muito para dar.


A surpresa da tarde veio com os Jibóia. Óscar na guitarra e Ricardo encarregue da bateria, os dois rapazes tomaram conta da piscina e contagiaram todos com o seu som um tanto diferente. Linhas bem construídas, com um lado experimental e bastante interessante, transportaram uma energia crescente e encerraram, assim, de forma divertida, o palco da piscina.


Com o sol a afastar-se, os alemães Burnpilot criaram uma boa atmosfera de estreia no palco principal.


Não muito tempo depois, o pôr-do-sol abrangia o palco e nele surgiram os Prisma Circus. Estes nossos vizinhos fizeram-nos voltar a tempos anteriores com a sua sonoridade. “Reminiscences” fez-se ouvir a alto e bom som, ecoando pelas montanhas e chegando, provavelmente, até ao outro lado da Península Ibérica. Joaquín Escudero Arce e a sua forma particular de “abraçar” o baixo foi o início da explosão sonora entre o trio, numa espécie de jam controlada (ou não). Barcelona ficou, por certo, orgulhosa deste poderoso concerto, e Moledo também.


“Nobody sees me when the sun goes down”. O sol já se tinha posto e todos viram os The Bellrays invadir o palco do SonicBlast, com a promessa de ecoar o som do rock pelos montes de Moledo. “Is this a Rock Show?”, foi a pergunta emblemática de Lisa Kekaula. A resposta? Foi mesmo um “Rock Show”. Carregada de soul, e muito bem acompanhada, a voz de Lisa fez-se ouvir por todo o recinto, movendo o público pela voz e movimentos.


Com o seu instrumental já bem reconhecido, os Black Bombaim jus à sua experiência no que à música diz respeito. Num seguimento bastante diferente, apresentaram um “Far Out” firme e poderoso. O ambiente foi bom, criando alguns momentos intensos de introspeção. Merecedores do espaço que tiveram, os barcelenses contribuíram para aquecer a noite e expulsar, por instantes, o vento frio que se instalava.


Se existir alguma palavra para definir os Church Of Misery é monstros de palco (afinal, foram três, e bem que merecem todas as palavras e mais algumas). Durante a tarde, os nipónicos andaram a passear pela piscina, mas foi à noite que se fizeram notar por todos, como que “vindos do inferno”. Dos cabelos de Hideki Fukasawa, voou algo grandioso e que rapidamente pôs tudo a mexer com “born to raise hell”. Moveram o céu estrelado, estou (quase) certa, deixando o público arrebatado. Depois deste concerto fervoroso e demolidor, não tivemos pernas para subir o monte (provavelmente, já um pouco estremecido) e irmos visitar o After Party. Ficou a excelente memória e uma boa noite de sono para preparar o dia que se seguia.


Texto: Cristina Costa | Fotografia: João Fitas

Agradecimentos: Sonic Blast