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SonicBlast Moledo 2014 [Dia 2]

O SonicBlast tem evoluído a olhos vistos ao longo das suas edições. O que começou por ser algo “pequeno”, tem-se tornado (um) enorme (sucesso). Após quatro edições, o leque de bandas continua a primar pela sua qualidade, com um público crescente para o admirar. Tudo isto, aliado à maravilhosa paisagem natural que Moledo proporciona, podemos dizer que foram reunidas todas as condições para um excelente festival de verão. Chegamos a Moledo, onde entre o mar, a praia e o sol, estava o Centro Cultural e horas de música que pediam para durar mais, mais, e mais…


No segundo dia, a tarde na piscina foi uma celebração do que é nacional, é bom. Os concertos começaram mais cedo e nós acabamos por deixar os Búfalo, os rapazes de Caminha, para trás. Seguiu-se o rock dos Los Saguaros e Stone Dead, que foi a rampa de lançamento para o punk entrar em acção. Quem animou realmente a malta, foram os Mr Miyagi. O SonicBlast já não é novidade para eles, muito menos as andanças em festivais. Com uma energia contagiante, como em “Out again!”, os Vianenses puseram tudo de pé, pois até então o público tinha estado sentado durante os concertos. O sentido de humor deu lugar a uma pequena “homenagem” a Lisa Kekaula, já que perguntaram “Is this a punk show?”. Também podemos responder que sim. Foi até ao topo do palco que Ciso San, vocalista, subiu, terminando a tarde em beleza com um punk bem vincado e assumido.


Mais uma agradável surpresa portuguesa fez as honras no segundo palco, foram os Dreamweapon. Menos surpresa (já cá tinham estado) e mais surpreendente, foram os Guerrera. Pelo Segundo ano consecutivo, os espanhóis voltaram a pisar terra nortenha e na bagagem trouxeram “Mauna Loa”. Quem já os tinha visto, rapidamente captou a evolução do quarteto. Muito mais desenvolvidos a nível instrumental e presença em palco, os Guerrera, firmes e bem-dispostos, “partiram” tudo, num ritmo de abraçar o rock e nunca mais o largar. Revisitaram “Under the gypsy sun”, e “dead man” ressuscitou, celebrando um dos momentos mais altos do concerto. Fizeram-se sentir e, mais uma vez, cumpriram a missão.


A verdadeira classe estava para vir com os Blues Pills, uma “High Class Woman” vestida de Elin Larsson, acompanhada de uma bateria e guitarra coesas, confirmou, desde logo, que ia ser uma noite de muito amor e rock n’ roll. “Devil Man” foi o auge de um concerto caloroso e carregado de sentimento. O ano passado tivemos um “Black Sun” com Kadavar, este ano foi um grande “Little Sun” que iluminou o recinto. Houve direito a uma música especial e um obrigado do fundo do coração. Os Blues Pills mostraram que o blues lhes corre realmente no sangue. Esperemos que os longos cabelos loiros de Elin voltem a conquistar terra lusa.


Com o palco bem aquecido, os My Sleeping Karma superaram toda e qualquer expectativa, pertencendo a estes o melhor momento da noite. Com uma envolvência e autenticidade extraordinárias, os alemães deram o rumo perfeito para uma viagem pelo universo transcendente do post rock. Uma “Ephedra” que levou o público aos céus, passando por uma “Brahma” e uma “Ahimsa” que o manteve lá. O mar de sensações criado alcançou dimensões gigantescas, o que aliado à simpatia da banda, tornou o concerto inolvidável. Com a promessa de voltarem a Portugal, os My Sleeping Karma despediram-se de forma exímia.


Com “Shit Kicker” a abrir, deu-se logo a suspeita de que os The Atomic Bitchwax iam fechar a noite da melhor forma. Com linhas a lembrar os eternos Pink Floyd, os Americanos satisfizeram em pleno a massa humana presente. “So Come On” fez logo bater o pézinho e “Ain’t nobody gonna hang me in my home” foi uma chamada de ombros e pescoço. Conduziram a noite a um ritmo intenso, fazendo jus à experiência de décadas, sem sequer se notar essa “idade”. Fizeram-se ouvir os clássicos “Gettin’ Old”, “Kiss The Sun”, numa actuação bastante dinâmica. Sempre divertido, Chris Kosnik fez uma espécie de dedicatória: “Quem é que já teve aquela namorada que lhe deu com os pés de forma valente? Pois bem, esta música é para ela“. E foi assim que começou “Hope You Die”. Nós esperamos que os Atomic Bitchwax continuem assim e nada lhes aconteça. Foi um fim de noite delicioso.


Mais do que um mero evento, o SonicBlast é um festival em que a música e as pessoas andam de mãos dadas. Um ambiente único, num cenário mais singular ainda, proporcionou, uma vez mais, uma experiência daquelas que não se esquece e facilmente criou a vontade de regressar a Moledo no próximo ano. Foram dois dias que limparam a alma e conquistaram o coração. Até para o ano!

Texto: Cristina Costa | Fotografia: João Fitas

Agradecimentos: Sonic Blast