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Storm Corrosion – Storm Corrosion

Um é britânico, o outro sueco. Um vagueia pelo progressivo, o outro respira metal. Duas vozes, dois génios que se decidiram juntar: Steven Wilson é o frontman dos Porcupine Tree, já Mikael Akerfeldt lidera os Opeth. Há anos que estes dois amigos trabalham juntos, mas até ao momento nunca tinham feito nada que fosse ‘só deles’. “Storm Corrosion” é o culminar da parceria entre estas almas gémeas. E o resultado, como não poderia deixar de ser, é bastante positivo.

Nos últimos tempos, ambos têm andado numa grande azáfama: Steven Wilson esteve ocupado com o lançamento do seu álbum a solo “Grace For Drowing” e também com “Welcome To My DNA”, terceiro disco de Blackfield (projeto que mantém a par do músico israelita, Aviv Geffen); por sua vez, Akerfeldt limpou a voz, afastou-se dos guturais e fez de “Heritage” um ponto de viragem na música de Opeth. É, por isso, surpreendente como estes dois arranjaram ainda tempo para produzir mais um álbum.

Acerca de “Storm Corrosion”, Wilson declarou à imprensa que este trabalho representa o completar de uma trilogia da qual fazem parte: “Grace For Drowing” e “Heritage”. Neste álbum, os dois exploraram as vicissitudes e particularidades da música de cada um e uniram-nas sob um único propósito: o de criar algo ímpar. As expectativas em torno de “Storm Corrosion” eram bastante elevadas, quanto a mim não posso afirmar que estas tenham saído defraudadas. Talvez, o único reparo negativo que tenha a fazer, seja – o de ter sido dado pouco espaço à voz carismática de Mikael Akerfeldt.

“Storm Corrosion” combina o lado frio dos Opeth ao mais emocional de Wilson, mas distancia-se do que ambos fizeram nas suas respetivas bandas. E de tempestade este álbum tem só mesmo o nome, porque a sonoridade é tudo menos pesada. Aqui não há lugar nem para um resquício de metal. É um disco etéreo, atmosférico, obscuro, mergulha na profundidade de sentimentos escondidos e desperta-os. “Storm Corrosion” é a banda sonora perfeita para um passeio ao nosso próprio interior, mesmo àquele mais oprimido.

O álbum abre ao som de “Drag Ropes”, nesta canção a voz de Akerfeldt rompe por meio de um ambiente sombrio. Mas, o ponto alto da música é indubitavelmente o jogo de vozes emergente entre o líder de Opeth e Steven Wilson – até arrepia – e ponho-me a imaginar este tema como a soundtrack ideal para um qualquer filme Introspetivo. Segue-se a música que dá também nome a este trabalho, nos primeiros segundos é evidente uma mudança de cosmos face à primeira canção. Em “Storm Corrosion” a esfera envolvente é menos carregada, não é tão enevoada; aqui é a primeira vez que Wilson entra em grande plano, assumindo a partir de então quase o papel principal, no que à voz diz respeito, e enquanto o britânico vai cantando, daquela forma dócil como só ele sabe, é acompanhado pela guitarra de Akerfeldt.

“Hag” traz-nos um Steven Wilson que surge praticamente a enumerar palavra a palavra. A partir do minuto 4, o som começa a subir gradualmente para um tom mais alto, ouvindo-se pelo meio um pouco de bateria às mãos de Gevin Harrison (Porcupine Tree). A música seguinte, “Happy”, tem um nome um quanto irónico, isto se tivermos em conta toda a conjuntura lancinante do disco em si. A instrumental “Lock Howl” deixa um pouco de suspense no ar, criando uma ideia de tensão. Coube à faixa “Ljudetinnan” a honra de encerrar o desfilar destas seis belas composições.

“Storm Corrosion” encontra-se nomeado para melhor álbum do ano, pela Classic Rock Magazine. O britânico e o sueco lançaram as cartas na mesa e estão agora a colher os proveitos da sua jogada, que se revelou um sucesso. Porém, para arrecadarem esta distinção Wilson e Akerfeldt têm que vencer o braço de ferro com os seus amigos Anathema (que voltaram a protagonizar um dos mais agradáveis momentos discográficos da atualidade, com “The Weather Systems”).

Texto por Filipa Santos Sousa