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Suicide Commando [Setembro 2012]

Os Suicide Commando, liderados pela mente brilhante e irreverente de Johan Van Roy, foram uma das bandas cabeça de cartaz da edição deste ano do festival Entremuralhas, que teve lugar no Castelo de Leiria. A Rock n’ Heavy esteve à conversa com Johan, que nos falou acerca do estado da música underground actual, e fez algumas revelações acerca do seu novo álbum, a sair no início do próximo ano.

O vosso primeiro álbum “Critical Stage” foi lançado em 1994, mas começaste a “experimentar” este tipo de música muito antes disso. Como é que isso aconteceu? O que te motivou a seguir uma carreira como músico? De facto, comecei a fazer música electrónica em 1986. Nessa altura, o equipamento para produzir música ainda era caro, portanto não era assim tão óbvio e fácil fazer música como nos dias de hoje. Poupei algum dinheiro, comprei o meu primeiro equipamento e, fortemente influenciado por bandas como os Front242 ou os Klinik, iniciei-me e criei a minha própria música. A minha principal motivação foi (e ainda é) a minha paixão por este tipo de música electrónica.

Ao longo dos anos, foste lançando vários álbuns e criaste muitos hits das pistas de dança. Qual é, na tua opinião, o álbum que melhor define o estilo dos Suicide Commando? Que músicas podem vir a ser consideradas os teus “hinos”? Essa é uma pergunta difícil, já que todos os meus álbuns têm um som e estilo únicos. Apesar de a minha música ter mudado um pouco e evoluído ao longo dos anos, continuo a achar que é fácil reconhecer um som próprio dos Suicide Commando nas músicas que faço. Muitas bandas tentaram “copiar” Suicide Commando, mas eu penso que não é difícil reconhecer o original. Ao longo dos anos, fomos tendo vários “hinos”, mas é claro que hits como “See you in Hell” e “Hellraiser” permanecerão importais nas próximas décadas.

A vossa música influenciou imensas outras bandas deste género, e é inegável que vocês revolucionaram a forma como o público olha para a música electrónica, principalmente a música electro-industrial. Qual é a tua opinião em relação à cena industrial dos dias de hoje? Achas que evoluiu para um patamar diferente tornando-se mais “mainstream” ou, pelo contrário, é um género que vai permanecer imutável? Como eu referi anteriormente, hoje em dia tornou-se muito mais fácil fazer música electrónica: só precisas de comprar um bom PC e alguns soft synths e, de repente, em duas semanas tens o teu primeiro álbum pronto. Portanto, é óbvio que hoje em dia existem mais bandas, em relação ao tempo em que eu comecei a fazer música. Mas, infelizmente, quantidade nem sempre indica qualidade… Ainda assim, há por aí música muito boa, portanto eu tenho a certeza que as boas bandas irão sobreviver ao teste do tempo. A evolução tecnológica actual é a grande diferença em relação ao passado: o hardware foi substituído por software, as possibilidades são infindáveis, enquanto antigamente tu tinhas que ser muito mais criativo para produzir os sons. Tudo tem o seu lado positivo e o seu lado negativo. E eu prefiro olhar para os aspectos positivos e tirar partido deles. Alguma música deste meio definitivamente tornou-se mais mainstream, simplesmente por causa da falta de dinheiro que existe na cena underground. O dinheiro circula noutros mundos, e apoia porcarias como Justin Bieber ou outras estrelas da pop adolescentes…

“Suicide Sessions” é o vosso ultimo álbum. De que forma é este álbum diferente dos anteriores? O “Suicide Sessions” foi o meu último lançamento, é uma colecção dos meus 3 primeiros álbuns (remasterizados) e material antigo que não foi lançado na altura, tudo isto compilado numa boxset de 6 CDs. Portanto, não se trata propriamente de material novo. Lançamos recentemente um single chamado “Attention Whore”, do nosso próximo álbum, a sair no início de 2013.

Então estão a preparar material novo, novos lançamentos? Podes fazer-nos algumas revelações em relação ao trabalho novo? Sim, acabamos de lançar o novo single e o novo álbum vai sair em 2013. De momento ainda estou a trabalhar no novo álbum, portanto talvez seja ainda cedo para dizer como vai ser ou soar, mas penso que vai ser mais diversificado do que os meus álbuns anteriores. Vão ficar surpreendidos!

Finalmente conseguiram vir a Portugal! As expectativas para o vosso concerto tornaram-se ainda maiores, já que no Verão passado este foi cancelado. Sim, infelizmente tivemos que cancelar os concertos do ano passado, por motivos de doença. Mas estou muito contente por estar aqui agora. Foi um prazer enorme tocar em Portugal pela primeira vez, e acho que o público realmente gostou. Tivemos imenso feedback positivo, portanto estou muito satisfeito! Muito obrigado pelo apoio e espero que possamos ver-nos em breve.