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SWR Barroselas Metalfest | Dia 1

Não há nada mais pesado que arcar com a árdua tarefa de dar o pontapé de saída numa maratona diária de 14 bandas. Esta honra calhou aos Shitmouth, que não acusaram a pressão e debitaram com descontração a sua sonoridade Punk HC, de acordo com o livro de regras dos 80’s. Logo de seguida os galegos Blast Off mostraram de forma fluída o Thrash metal clássico contido nos seus dois primeiros EP’s “Devious Insane” e “World of Lies”. [Infelizmente não foi possível à equipa de imagem captar estas duas bandas]
Identicamente espinhosa, afigurava-se a inauguração do Palco 2, a cargo dos Equaleft. Seguramente ninguém os pode acusar de não se terem entregue em pleno na dura missão de espicaçar o público, contudo nem sempre o contágio enérgico alastrou para além do palco. À medida que o público ia preenchendo gradualmente o espaço, a banda ia materializando de forma ainda mais confiante o Thrash groovado de “Adapt & Survive”, a aclamada primeira proposta de estúdio da banda.

A abrir o Palco 1, seguiam-se os mestres do Brutal Death colombiano, Internal Suffering, naquela que assinalava a sua 3ª atuação de sempre neste festival. Fruto possivelmente da diferente formação ou eventualmente da hora mais morna da playing slot usufruída, revelou-se a aparição menos conseguida de sempre no ranking de Barroselas, tendo em conta o elevado barómetro de qualidade a que nos habituaram.

Seguiram-se os britânicos Neuroma, que partilham elementos com alguns dos últimos newcomers mais relevantes de terras de sua majestade (Crepitation e Cancerous Womb). O repertório continua a assentar predominantemente no já distante “Extremophile”, mas ao vivo a fórmula continua a não desiludir os colecionadores do estilo.

Nos tempos que correm torna-se crucial incluir uma banda de folk e derivados em qualquer cartaz de Metal multigéneros. Coube aos Skyforger a tarefa de representarem o estilo, enquanto promoviam a sua mais recente proposta em álbum “Senprusija”. Concerto musicalmente competente e a provar que uma atuação de Folk metal não tem necessariamente de ser uma pueril celebração encenada de alegria alcoólica forçada.

Uma das mais valias de um festival, é precisamente a de proporcionar a público de circuitos distintos terem o seu primeiro contacto com bandas de outros nichos musicais. Estamos seguros que foi o que se passou com os Killimanjaro, que embora sejam possuidores de uma carreira já firmada por um extenso percurso ao vivo, estavam ao mesmo tempo a desvirginar auditivamente muitos dos presentes. Set baseado predominantemente no Stoner cru e direto de “Hook” superiormente executado por uma base rítmica de virilidade irrepreensível.

Se o regresso dos italianos Fleshgod Apocalypse a Portugal, se revestia para uma fatia considerável do público, como um dos chamarizes aparentes deste cartaz, para os mais fundamentalistas do Death Metal continua a ser pouco digerível constatar a metamorfose sofrida desde os primórdios até à atual versão ligeiramente Death metal de uns Dimmu Borgir. Foi indubitavelmente a mais elaborada produção de palco da banda em território nacional, que contou entre outros detalhes com a presença em palco de Veronica Bordacchini (Wisteria, In Tenebra), que veio sem dúvida elevar a atuação da banda a outros patamares.

Os também italianos Grime entregaram-nos um Sludge viscoso e interessante, mas acabaram por padecer de um certo esmorecimento colectivo por parte de um público com afazeres mais prioritários, o que talvez não tenha sido alheio ao fato de estarem “entalados” entre os dois principais headliners da noite.

Foram os suecos Shining, os responsáveis pelas opiniões mais antagonicamente díspares entre o público presente. Se a competência dos músicos que acompanharam o polémico frontman Niklas Kvarforth esteve unanimemente imune a qualquer reparo, já o resultado conjunto foi imensamente mais questionável. Há por vezes uma linha muito ténue entre a polémica não espontânea e uma manifestação circense, contudo a pertinente seleção dos temas presentes no alinhamento fizeram esquecer momentaneamente os pontos menos positivos.

Os americo-canadianos Incinerate foram a última das bandas do BDM tour package “Eradicating Europe 2015” a pisar o palco. Tal como os Neuroma, beneficiaram das características mais “brutal death friendly” do Palco 2 e embora o novíssimo “Eradicating Terrestrial Species” não acrescente uma única vírgula a outras dezenas de lançamentos do mesmo estilo, também não desapontaram nenhum dos fãs mais ávidos do género.

Com o Thrash metal espanhol num crescendo de popularidade, os Crisix revelaram-se uma aposta muito segura no encerramento de atividades no SWR Colosseum, com uma muralha de riffs plenamente de acordo com o clima requerido no encerramento de palcos introduzindo um medley com temas de Slayer, Pantera, algo que agradou os presentes.

O arranque do turno noturno da SWR Arena (Palco 3) ficou a cargo dos Redemptus, em fase inicial de promoção ao vivo do álbum de estreia “We All Die The Same”. Mais uma vez ficou a sensação que apesar das boas críticas obtidas, o Sludge/Doom deste trio ao vivo, continua a não convencer por completo.

Alguns pontos acima estiveram os lisboetas Wells Valley liderados por Filipe Correia (também Concealment), igualmente a promover o recém editado “Matter as Regent” e também a distribuir Sludge/Post metal pelos presentes, mas com o mérito hercúleo de voltar a cativar o público, quando já passava das 3h da manhã.


Texto: Eva Martins  |  Fotografias: João Fitas e Ricardo Silva
Agradecimentos: SWR Inc.