free website stats program

SWR Barroselas Metalfest | Dia 2

O “serviço de despertar” do dia 2 coube ao crust/hardcore escandinavo dos Myteri, enérgico quanto baste e a cumprir o propósito designado. [N.R. – Não foi possível à equipa de imagem apanhar a banda em palco]
Diretamente de Osasco – S.P. / Brasil para a Europa, os Imminent Attack cumpriram um sonho antigo, o de atuar pela primeira vez em Portugal e seguir em tour europeia. Estrearam-se no melhor festival possível e seguramente que à medida que a longa tour agendada for decorrendo algum do nervosismo evidenciado vai-se seguramente dissipar e tornar o thrash metal/crossover apresentado ainda mais letal e impiedoso.


Primeiro concerto de sempre e logo no palco do SWR fazia augurar uma actuação desafiante por parte dos Örök. E foi isso que o seu post atmospheric black metal chegou a atingir em determinados momentos, embora nos pareça ainda haver um trilho a percorrer.


Compatriotas de Imminent Attack e parceiros de tour na aventura europeia, os Claustrofobia surpreenderam pelo impacto causado pelo seu Death/Thrash Metal extraído predominantemente do álbum “Peste”. A cover de Ratos de Porão “AIDS, Pop, Repressão” foi um dos pontos altos.

Inicialmente previstos para iniciar o turno noturno da SWR Arena, os slammers Analepsy viram a sua atuação antecipada e recolocada no Palco 2 por troca direta com os belgas Emptiness (fruto de atrasos a caminho de Portugal). Honrosos representantes do estilo brutal slam em território nacional, a banda fez deste SWR uma espécie de festa de apresentação do álbum de estreia “Dehumanization By Supremacy” acabado de editar dias antes, e o que serviram foi brutal death slam sem concessões. Destaque para o tema “Genetic Mutations” que contou com a participação de Sérgio Afonso (Bleeding Display).


Já tendo figurado em cartazes como o Roadburn ou Supersonic, os britânicos Bong não deixaram os seus créditos por mãos alheias e justificaram até as referencias a OM e Sleep que alguma imprensa lhes atribui. Psychadellic Drone Doom Metal com bilhete só de ida para destino indefinido.


Os lisboetas Bleeding Display apesar de algumas ligeiras alterações de formação, de tempos a tempos, conseguem sempre convocar para a sua causa, alguns dos melhores executantes do estilo e é difícil exercer preferência por um line-up de entre todos que já tiveram. Longos 8 anos após a estreia “Ways to End”, a banda promove agora o novíssimo “Deviance” e a fórmula de Brutal Death Metal permanece felizmente inalterável. De destacar ainda as participações vocais convidadas a cargo dos frontmans de Analepsy e Equaleft.


Com a actuação dos belgas Enthroned iniciava-se também o hat-trick “baterístico” por parte do nosso bem português Menthor (que haveria ainda de atuar no decorrer do festival com Lvcyfire e Nightbringer). Phorgath, baixista, (também de Emptiness, e devido ao atraso atrás mencionado) subiu ao palco apenas a partir do 4º tema. O alinhamento materializado palmilhou grande parte da discografia, tendo a maior incidência recaído para a mais recente proposta “Sovereigns”. Black Metal extremo e demoníaco, sempre com os bpm’s no máximo do humanamente possível.


Também pertencentes à nova vaga de blackened death de cariz mais obscuro, os irlandeses Zom apresentaram-se pela primeira vez em Portugal trazendo na bagagem o seu primeiro longa duração “Flesh Assimilation”. Tiveram o difícil mérito de não se deixarem ofuscar pelas atuações que os rodearam.


A ocupar a posição cimeira de todo o cartaz, os irlandeses Primordial fizeram plena justiça à posição que lhes foi concedida, brindando as massas com um dos concertos do festival.
Com uma seleção de temas a percorrer os temas mais emblemáticos dos últimos 6 álbuns de estúdio da extensa discografia da banda, com principal predominância para as propostas “Where Greater Men Have Fallen” e “To The Nameless Dead”, A.A. Nemtheanga provou mais uma vez ser um frontman de excelência conseguindo agarrar o público desde o primeiro segundo.  Embora seja difícil eleger pontos altos numa atuação pautada pela sua genialidade, temas como “Coffin Ships”, “Gods to the Godless” e “Empire Falls” marcaram de forma indelével. Houve ainda tempo para um encore no qual tocaram “Blodieed Yet Umbowed”.


Não são todas as bandas que editam dois álbuns no mesmo ano, os 11Paranoias fizeram-no e mostraram agora em primeira mão em território nacional ambas as edições “Spectralbeastiaries” e “Stealing Fire From Heaven”,  em que os caminhos trilhados foram mais uma vez os do sludge/doom metal.

Os checos Gutalax nas vésperas da edição do esperado 2º álbum “Shit Happens”, presentearam todo o público com o seu Gore Grind de refinados contornos escatológicos. Foi evidente a evangelização espontânea de muitos dos presentes à delicatessen coprofágica assente na batida contagiante do seu stadium grind, que tanto funciona no bar da esquina como nos grandes palcos de festivais de referência. Sem dúvida a maior agitação de público durante todo festival.


Após vários contratempos alheios à banda e organização, os belgas Emptiness podiam finalmente entregar o seu black doom para todos aqueles que se encontram na SWR Arena.  Os dois últimos álbuns “Error” e “Nothing But The Whole” serviram de mote para a banda explanar o seu avant garde black metal com laivos doomicos, sempre incorporando os característicos twists que fintam o ouvido na presciência do desenrolar do tema.

A Mother Abyss coube o remate da noite. Por entre percalços técnicos iniciais e um set algo fugaz, o sludge de contornos atmosféricos contido no EP “Burden”, foi fluindo por entre os presentes numa altura que já se registavam baixas consideráveis no público existente.


Texto: Eva Martins
Fotografias: João Fitas e Ricardo Silva
Agradecimentos: SWR Inc.