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The Black Keys – Turn Blue

Mesmo já não sendo novatos por estas bandas (já contam 8 cd’s de originais), os Black Keys têm beneficiado de um maior reconhecimento desde 2010, com a edição de Brothers e do seu sucessor El Camino, aclamados critica e popularmente devido à mudança de sonoridade para agradar a um público mais vasto, mas mantendo a atitude rock que caracteriza este duo americano.

Desta forma, é fácil perceber porque é que a comunidade recebeu com choque “Fever”, o primeiro single de Turn Blue, o novo álbum da banda, cuja batida sintetizada e melodia viciante a aproximavam mais das pistas de dança do que da intensidade rock desejada.

No entanto, essa amostra viciante é apenas uma das muitas direcções que os Black Keys decidiram abordar neste novo cd, conseguindo a proeza de nunca falhar no alvo e sair não só com uma “nova pele”, como com um dos seguros candidatos a cd do ano.

“Weight of Love”, de contornos épicos e “zeppelianos”, abre o cd da melhor forma possível, expandindo ainda mais a emoção normalmente patente na música dos americanos através de solos épicos e uma atmosfera nostálgica a “transpirar” Blues e psicadelismo.

Algures entre os Arctic Monkeys de AM e uns Queens of the Stone Age mais calmos e refinados, os Black Keys de Turn Blue mostram que maior ponderação e suavidade pode não significar menos intensidade ou um som mais “plástico” e artificial, antes pelo contrário, visto que, embora sejam as baladas a pesar mais neste registo, raramente se ouvem momentos que não sejam visceralmente melancólicos ou catárticos, tal como a banda nos vem habituando.

Com a marca mais característica do duo apresentam-se faixas como “In Time”, a lembrar o já clássico “Howlin’ for You”, com a sua melodia viciante alimentada a guitarradas atrevidas e falsetes insinuantes a transbordar uma sensualidade que justifica a comparação dos Black Keys a uns certos “macacos”, no melhor sentido possível; além desta, a excelente “Year In Review” protagoniza o momento mais acelerado do cd e também soará familiar a quem segue a banda.

De resto, é interessante ver o líder da banda, Dan Auerbach, mais confortável com a sua pele de guitarrista (a voz delicodoce continua irrepreensível), apresentando-se em momentos guitar hero na fantasticamente psicadélica “In Our Prime” e na já referida faixa de abertura, sempre em grande forma.

Ainda é importante notar a qualidade das baladas presentes em Turn Blue, com a melancolia deliciosa de “10 Lovers” ou a provocante faixa-título a mostrarem que o duo americano triunfa igualmente quer a fazer bater o pé, quer a trazer os isqueiros ao de cima.

Com a ressalva para a desinspiração da final “Gotta Get Away”, que na sua mistura de rock psicadélico com blues (um piscar de olhos gigante aos Rolling Stones) fecha de forma aborrecida um cd que merecia uma melhor conclusão.

Assim sendo, há que dar os parabéns aos Black Keys, que em Turn Blue conseguiram enganar quem julgava que iriam apenas escrever cópias de “Lonely Boy” e de “Gold on the Ceiling”, expandindo a sua sonoridade em várias direcções e conseguido como resultado um cd praticamente imaculado, fresco, coeso e, de certeza, um dos melhores de 2014.

Análise de Jorge Martins