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The Black Wizards – Lake of Fire

Os The Black Wizards são um quarteto nacional que tem em Lake of Fire a sua estreia e uma autêntica carta de amor aos tempos áureos do Rock Psicadélico, como se os anos 60/70 nunca tivessem passado.

Assumindo-se como ‘uma banda analógica numa era digital’, Joana, Paulo, Helena e João dão totalmente asas a esse epíteto, lançando-se em músicas que nunca se ficam abaixo dos 6 minutos e que parecem ter sido retiradas directamente da sala de ensaios, com largas secções instrumentais dignas de uma jam session entre virtuosos, com tudo o que isso tem de bom e de mau.

Bebendo influências de clássicos como Cream ou Led Zeppelin (a liberdade nos riffs e na percussão remete sobretudo para estes últimos), mas com um peso sombrio que só podemos associar a Black Sabbath, os Black Wizards criam uma identidade própria que, sem se perder no sentido de homenagem aos seus ídolos, não calha no tributo banal e genérico que poderia ter ocorrido, como se pode ver na gigante (em todos os sentidos) “Waiting for a Train”.

Notam-se ainda alguns ‘toques’ mais recentes na sonoridade da banda, que acabam por derivar das mesmas influências psicadélicas, com a sensualidade de uns Queens of the Stone Age marcada na inicial “Pain” ou traços de Sludge na faixa-título, com secções rítmicas sempre pesadas e quase violentas a marcar excertos curtos de voz rasgada, antes de serem lançados devaneios instrumentais catárticos.

Os Black Wizards conseguem cometer a proeza de ter solos de guitarra ou bateria de mais de um minuto que ainda assim não caem no onanismo, pela intensidade e emoção inerente com que atacam cada nota, embora seja impossível discordar que por vezes se alongam demais (“Gypsy Woman” poderiam ser duas ou três músicas diferentes e nenhuma delas especialmente excitante).

Desta forma, para quem pretende uma viagem no tempo que nunca se prende demasiado na nostalgia em detrimento da frescura, Lake of Fire mostra uma banda nova muito promissora no território do psicadelismo de toques Stoner, mas que tenha em mente o aventureiro que será sujeito a doses largas de improviso e técnica que tanto arrebatam como aborrecem.