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The Fines [Cave 45, Porto]

O Cave 45, no Porto, pode ser um espaço recente mas começa a ser incontornável no panorama rock da cidade, tendo uma agenda bem preenchida com eventos de inegável interesse, como o que reuniu no passado dia 17 de abril, três bandas do universo da editora Raising Legends, cujo mote foi o lançamento de “Greatest Tits” dos The Fines.

Passava já das 23h, e a sala ainda tardava em compor-se, quando os Projecto Sem Nome subiram ao palco. Combinando um rock alternativo e enérgico com conteúdo lírico cantado (e até teatralizado em palco) pelo poeta Cristóvão Siano, o resultado sonoro resulta da amálgama dos backgrounds dos diversos músicos, que incluem ainda Rui Cardoso na bateria, Eugénio Almeida no baixo e Paulo Pereira na guitarra (com uma grande atuação), que mantiveram uma presença contida, sobretudo se compararmos com a presença convulsiva do vocalista, cujos raros momentos de tranquilidade se resumiam aos intervalos entre as músicas, que ia apresentando. Foi também através de Cristóvão Siano, que ficámos a conhecer o título do novo álbum, “Bulas para dedos e coração”, que reconheceu ser “um nome pomposo”, e cuja gravação teve inicio por estes dias. À medida que temas como “Acácia”, “Ponto vela”, “Até amanhã”, “Marcha gole em tic tac”, “Identidade XXX” (em que Cristóvão Siano, sentado na beira do palco, toca um pequeno xilofone) e “Havia lá” iam desfilando, o público ia aderindo cada vez mais à prestação desta banda portuense.

A prestação seguinte esteve a cargo dos Sacapelástica, que têm em carteira o seu primeiro trabalho discográfico, “Metalol”. A banda centra-se na figura de Paulo Lopes (dos míticos Repórter Estrábico) a quem se junta o guitarrista e produtor André Matos, com Pedro Lopes no baixo e Eduardo Baltazar na bateria. Nesta primeira apresentação no Porto, este coletivo fez-nos embarcar na sua viagem sónica, totalmente instrumental, apenas pontuada por samples de voz, e sempre acompanhada por vídeos, por vezes hipnóticos, num ecrã ao fundo do palco. A travessia pelo universo dos Sacapelática começou com “Tributar”, seguindo-se “Bizarra”, “Bateria”, “Softpower”, “Yann”, “Gainsbourg”, entre outros. Uma atuação plena de intensidade, onde o tranquilo Paulo Lopes vincou a maturidade da banda, aliada à dinâmica mais jovial e roqueira de André Matos, irrequieto do princípio ao fim, que não comprometeu uma atuação fluída e sem falhas, bem apreciada no final por um público que preenchia completamente, por esta altura, a sala do Cave 45.

Por fim, os The Fines tomavam o palco, e afinal de contas, a festa estava por conta deles. Por um lado, tratava-se do lançamento do seu álbum “Greatest Tits”, em larga distribuição no evento, e por outro, porque a banda injeta uma energia contagiante, alastrada rapidamente à assistência já rendida à extroversão de Zé Manel, “animal de palco” quase imparável. E digo quase, porque foi assolado por persistentes problemas técnicos nas suas guitarras, que quebrou a fluidez da atuação praticamente no início, mas que não impediu que continuasse a festa (sim, a palavra “festa” é aqui uma constante), tendo a solução passado pelo abandono do instrumento e a entrega em exclusivo ao microfone. Aliás, as vozes eram repartidas com Sandro “Frank”, que por sua vez fazia uma dupla curiosa com Luís Sousa, trocando entre si o baixo e a guitarra. A segunda guitarra foi assegurada, entretanto, por André Matos que assim regressava ao palco, depois dos seus Sacapelástica. O rock rolou com temas tais como “Rock on”, “Get away”, “Spark”, “Oriental express”, “Toxic twins”, “Sweet” e “Ready to arise”, estes últimos com Luís Araújo na bateria, antecessor de Samuel Sousa, o atual baterista. Pelo meio, muita interação com o público e apelos a bebidas para o palco (“Whiskeys são muito bem vindos!”), e foi já perto das três da manhã que a banda de Penafiel encerrou, completamente suada, esta noite de rock absolutamente memorável.

Fotografia e texto: João Fitas
Agradecimentos: Raising Legends Records; The Fines; Cave 45