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The Japanese Girl – A Tea With Twiggy Kasumi

Já está na altura das bandas auto-intituladas “psicadélicas” se aperceberem que esse rótulo, sobretudo quando atribuído por si mesmas, não é como uma carta branca para dar asas aos seus devaneios pseudo-musicais e esperar que a recepção seja uma torrente de elogios sobre o “avant-gardismo” e a expansão mental que cd X ou artista Y conferiu sobre nós, meros mortais.

Os The Japanese Girl, conjunto nacional que, lá está, se nomeiam rock psicadélico, não são rock psicadélico; são uma confusão disfarçada de ecletismo, onde as boas intenções por trás da música que praticam não compensam uma sonoridade abertamente desconexa e com uma falta alarmante de fios condutores entre as melodias.

Não é que a banda não consiga soar coesa e quando consegue o resultado é surpreendentemente agradável, como se pode ver pela faixa-título e os seus ecos a Thurston Moore ou na graça atmosféricas de “Unveiled”, embora o formato-canção também não sirva sempre o conjunto, que parece um modesto tributo a Pixies na banal “You Should Have Switches”.

De resto, o que se observa pode facilmente ser confundido com experimentalismo; essa comparação é um erro e uma afronta ao experimentalismo, até, que se estará a contorcer na sua campa movida a ácidos. O que os The Japanese Girl fazem é profundamente desinspirado, através de “músicas” (?) como “Stop the Clock” ou “Unfashionable” a não terem qualquer ponta por onde se lhe peguem, dando todo um novo significado à palavra filler.

Além destas, existem faixas cujos riffs e estrutura melódica parecem interessantes, mas que são apresentadas numa forma tão descuidada que poderiam ser os demos dos demos de uma banda devidamente psicadélica, notável nas embaraçosamente sub-aproveitadas “Bitter Falls” ou na final “Tape Burial”.

Desta forma, não se deixem enganar, The Japanese Girl com o seu A Tea With Twiggy Kasumi não é psicadelismo, não é experimental e só por um triz é música; o que é certo é que é uma perda de tempo.