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The Quartet Of Woah! [Setembro 2014]

Os The Quartet of Woah! são Gonçalo Kotowicz (LunaSeaSane, Nicorette, Melange), Rui Guerra (Melange), Miguel Costa (Blasted Mechanism, LunaSeaSane, Zorg) e André Gonçalves (Philharmonic Weed, quatro músicos lisboetas irmanados numa mesma identidade Rock capaz de cativar os mais diversos públicos, facto que ficou comprovado após uma brilhante e muito elogiada atuação na última edição do Vagos Open Air. Estivemos à conversa com eles e agora damos a palavra aos músicos:

Em primeiro lugar, obrigado em nome da Rock N’ Heavy pela disponibilidade para a entrevista. Foram considerados por muitos como a melhor actuação nacional no Vagos Open Air; sendo a única banda cujo som não se concentra no Metal a actuar no festival, como se sentem com esta recepção ao vosso concerto? Estamos sempre disponíveis para vocês! Como imaginas sentimo-nos muitíssimo contentes e satisfeitos de ver o nosso trabalho reconhecido dessa forma principalmente quando estás a actuar para um público que à partida não é o teu. Houve muita gente que desconfiou da nossa presença no Vagos e noutros festivais de Metal mas creio que conseguimos ultrapassar as desconfianças iniciais e até alguns preconceitos. O Vagos vai ficar para sempre na nossa memória porque foi um concerto cheio de energia e com muita garra, entrámos por ali a dentro a despejar o nosso rock e agarramos a multidão. É uma sensação difícil de descrever!

Tiveram oportunidade de ver outros concertos no Vagos Open Air? Se sim, quais os vossos preferidos? Paradise Lost foi um grande concerto para além de que faz parte daquelas bandas que ouvia quando era adolescente e nunca pensei partilhar o palco com eles! Gojira rebentou tudo, e os Vita Imana que foram uma grande surpresa. Tive muita pena de não ver os Behemoth e claro, os Opeth.

Uma das coisas que mais vos marca é o vosso ecletismo e imprevisibilidade em termos de sonoridade; gostava portanto de conhecer mais sobre as vossas influências, quais os nomes por trás da vossa música? Tu chegas a uma altura em que não sei se se pode falar em influências directamente porque já tocas há tanto tempo, já ouviste tanta banda, já tiveste 10 bandas favoritas, que essas influências acabam por se tornar a tua identidade própria, até porque como sabes, nós os 4 vimos de passados musicais diferentes. Mas sem sombra de dúvida que nomes como Led Zeppelin, Beatles, Black Sabbath, Yes, The Who, Nirvana, Soundgarden, Cream, Jimmy Hendrix estão lá todos. Mas também o Simon&Garfunkel, Crosby Stills and Nash, os Pantera, Gratefull Dead, Bob Dylan e até o Demis Roussos e os musicais do Lloyd Webber, entre outros. Basicamente, acho que retiras um pouco de cada banda que foste ouvindo, de cada compositor que faz mais sentido em ti. Connosco aconteceu uma coisa engraçada que foi o facto de o som que fazemos não ter nada a ver com o som que projectámos que iriamos fazer numa fase inicial da banda.

Ultrabomb foi um álbum elaborado num contexto conceptual, sendo bastante elogiado por isso mesmo; podemos esperar o mesmo do seu sucessor? O sucessor do Ultrabomb será um albúm mais pessoal, mais próximo da entidade individual de cada um de nós dentro da banda e não algo inspirado noutra coisa, o que de certa forma se torna mais difícil porque no Ultrabomb tínhamos por assim dizer um guião para a história. O próximo trabalho será substancialmente diferente nesse aspecto. Vai ser um disco mais ambicioso que o Ultrabomb e esperamos é claro que seja tão bem recebido como foi o primeiro.

Recentemente lançaram uma nova música, “BackwardsFirstliners”, mas que não estará incluída no novo cd; apesar disso, é esta a sonoridade que pretendem explorar? Sim e não!  Lançámos o Backwardsfirstliners com a intenção de fechar o ciclo do Ultrabomb e também porque fazia sentido lançar um single cheio de farpas nesta altura. Havia algumas coisas que ainda queríamos dizer e o Backwards surge dessa forma sendo que não entra no próximo trabalho porque o line up já está decidido. Assim também damos algo de novo antes do lançamento. Falando da sonoridade, nós temos um ponto de honra que é não nos limitarmos ou “proibir” determinados géneros e isso faz com sejamos mais ecléticos como afirmavas atrás, permitindo-nos gravar temas como o Backwards ou como o Machine Limps Toward the End sem nunca deixarmos de ser os The Quartet of Woah. na minha opinião pessoal será um disco um pouco mais “dark” mas poderá haver quem ache precisamente o contrário.

O sucessor de Ultrabomb já tem nome? E quando poderemos começar a ouvir novos temas ao vivo? Já temos umas ideias para o nome do disco mas ainda não nos decidimos. Quanto ao tocarmos esses temas ao vivo só mesmo depois de estarem gravados ou pelo menos de estarem “na batata” como se costuma dizer. Não gostamos de apresentar coisas coxas ou por terminar.

Acham que, por serem uma banda de rock experimental, sentem uma maior barreira na altura de promover a vossa música, do que se fossem mais inclinados para a música comercial? Acho que isso em Portugal não passa por sentir ou não… as coisas são mesmo assim e não há muita volta a dar. O Rui dizia uma vez que tinha um enorme respeito e consideração por qualquer pessoa que queira ser músico neste nosso país. Mas a culpa não é só de Portugal, é também muito devido à desconfiança com que olham para a música que se faz aqui, há um preconceito na indústria musical com Portugal que talvez um dia eu consiga perceber. Tens de batalhar muito mais para seres ouvido, para te manteres nas playlists das rádios nacionais. Precisas de investir muito dinheiro para conseguires pequenas vitórias e esse é o maior problema. Já se tem escrito e dito por aí que se a nossa nacionalidade fosse outra, também a nossa projecção seria, dando o exemplo das norte americanas Deap Vally que se formaram em 2011 e em 2012 já tinham uma tourné mundial por todos os principais festivais e não só. A diferença é essa, acho que não passa pelo tipo de som. Mas não podemos negar que se cantares em Português e mesmo que faças um popzinho da treta, tens lugar marcado nas rádios todas e não só.

Actualmente, o revivalismo do psicadelismo e do rock experimental que marcou os anos 60 e 70 parece estar cada vez mais na moda, bastando para isso ver o sucesso de bandas como os Tame Impala; sentem que este género ainda tem novas fronteiras para quebrar e mais para explorar sem imitar o passado? Acho que principalmente é isso, não imitar o passado. Nós temos o fascínio pela música que se fazia nessa altura mas não temos interesse em soar como eles, temos mais interesse em experimentar alguns processos de gravação, evitar encher os nossos discos com Plug ins e coisas digitais, mas o passado é o passado. Essas bandas todas de rock progressivo e experimental são uma grande escola na minha maneira de ver as coisas. Havia um à vontade muito grande de fazeres o que te desse na cabeça e ouvias temas de 15 minutos na rádio e ninguém pestanejava. Às vezes parece-me que se fazia música mais à vontade, se me compreendes, e isso parece que tem interessado a muita gente, a muitas bandas que ou cresceram a ouvir essas bandas porque tinham uns pais porreiros, ou foram descobrindo ao longo dos anos. Há tanta coisa à volta do Prog e do Psic que acho que ainda há muita barreira para quebrar .

Ainda neste tópico, o que andam os Quartet of Woah a ouvir actualmente? Quais as bandas que vos entusiasmam e enchem os ouvidos? Ainda agora estivemos todos a passar férias juntos e ouviu-se muito blues daquele das gravações a cera ainda, Willy Nelson, Arlo Guthrie, mas também o album novo do Jack White. Regra geral, quando estamos em fase de composição com agora, não ouvimos muita coisa para não sermos influenciados sem sabermos! Eu em casa ando a ouvir bastante a Anna Calvi por exemplo.

Curiosamente, uma das características que marca a maioria das bandas de rock experimental é a preferência pelo vinil, pelo som mais límpido e que permite absorver cada som e melodia, reconhecendo assim a complexidade total de um disco; vocês também têm esta preferência, ou são mais pragmáticos e já se habituaram aos cd’s e MP3? Nós temos essa preferência, claro, e só ainda não saiu nada em vinyl pelo preço (mas podem esperar novidades aqui também). Creio que só mesmo quem já trabalhava em música nos anos 70 e 80 é que gostam verdadeiramente e ficaram mais agarrados a essas tecnologias e formatos, porque facilita bastante qualquer processo de gravação, processamento, etc. Para ouvir um bom disco nada como um vinyl de 180 gramas! Agora não somos fundamentalistas nem poderíamos ser.

Finalmente, gostariam de deixar alguma mensagem para os vossos fãs na Rock N’ Heavy? Queremos deixar um grande obrigado e um sentimento de gratidão enorme por nos ajudarem a crescer e a sermos cada vez mais reconhecidos. Só um músico consegue explicar aquela sensação em que o público começa a cantar as suas músicas… Obrigado por tudo! Rock on!

Entrevista por Jorge Martins