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The Vines – Wicked Nature

Depois de um álbum de estreia aclamado, os The Vines começaram a passar despercebidos durante a década que se seguiu, com o seu revivalismo de Grunge com elementos de Garage Rock a nunca conquistarem como no estreante Highly Evolved.

Agora, 12 anos depois, eis que Craig Nicholls, vocalista e guitarrista da banda, regressa, com um grupo renovado e um álbum duplo que pretendia tornar no seu Melancholy & The Infinite Sadness, embora o resultado final seja um cd agradável, mas facilmente olvidável, algo que define também os próprios The Vines.

Para quem conhece a banda, a fórmula não mudou, mesmo com as ambições megalómanas de Nicholls, o que existe aqui é um tributo ao Grunge que facilmente passaria por um dia mais “mansinho” dos Nirvana, através de faixas como “Metal Zone” ou “Rave It”, que usam o mesmo tipo de dinâmica e melodias do trio de Seattle e por isso, embora sejam agradáveis de ouvir, soam sempre excessivamente familiares.

Embora seja um disco duplo, Wicked Nature nunca é demasiado longo, sendo rara a faixa que chega aos três minutos, o que acaba por ser um trunfo, quando as músicas são em geral fáceis de assimiliar e simplistas, levando a que o álbum possa ser ouvido em menos de uma hora na sua totalidade.

Quando Nicholls não está ocupado a tentar emular os gritos e estilo de guitarra de Kurt Cobain, existe ainda música para se fazer, seja através de melodias melosas e coladas aos Beatles, como “Anything You Say” ou “Love Is Gone” (sendo o caso mais gritante “Truth”), sendo esta personalidade uma que povoa mais o segundo cd, mais suave e menos enérgico, sendo também consideravelmente mais fraco.

Existe ainda uma faceta activista que os The Vines exploram em faixas pouco subtis como “Killing the Planet” ou “Green Utopia”, mas que pecam por um moralismo exagerado em letras insípidas e instrumentais que aproveitam riffs medianos para os repetir até à exaustão, algo que dificilmente causa impacto.

Surpreendentemente, é quando o lado emocional de Nicholls vem ao de cima que o melhor dos The Vines sobressai, com baladas como “Venus Fly Trap” ou “Slightly Alien” a destacarem-se pela positiva, embora seja a espacial “Clueless” que ganha as honras de melhor faixa de Wicked Nature, lembrando os Smashing Pumpkins de “Daydream”.

Desta forma, Wicked Nature é um projecto ambicioso e que tem alguns argumentos interessantes, mas em última instância é vítima da falta de vontade de inovar e demasiada familiaridade quer aos antigos The Vines, quer às glórias do Grunge, que fizeram tudo isto e melhor.