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Thirdsphere – Fire

Novamente dedicamos este espaço à produção nacional, neste caso, ao EP “Fire” do quinteto albicastrense, THIRDSPHERE. Para os mais incautos, recordamos que este projecto, cujas raízes remontam a 2007, já há algum tempo percorre os palcos do underground nacional apesar de, até à edição deste EP, apenas ter divulgado uma demo.

Os THIRDSPHERE procuram seguir os ditames das sonoridades heavy e conseguem demonstrar competência a nível instrumental, investindo sempre com uma considerável dose de peso ao nível das guitarras. E, de facto, os growls de Nuno Cardoso incutem uma dose extra de poder, no entanto, quando o vocalista se aplica na alternância com vocalizações em registo limpo, essa opção acaba por revelar algumas debilidades a esse nível.

O album abre com “Awakening the Soul”, no entanto, o momento mais marcante é “Awakening the Dormant”, tema que demonstra cabalmente como a aposta no gutural entrecortado por vocalizações limpas é mais prejudicial do que benéfica, visto que apesar de inicialmente bastante poderoso e com um travo thrash, acaba desvirtuado da sua essência mais heavy no momento em que é convocado o registo limpo que não se coaduna da melhor forma com a energia cavernosa dos growls.

O tema seguinte, “From Ashes We Rise”, aposta ainda mais na diversificação e alternância entre registos, prejudicando a dinâmica da música e a virulência das palavras, até porque os momentos mais significativos, como o refrão, abdicam do gutural.

“Soul Confined” abre com um bom trabalho ao nível da percussão e com riffs pesados, mas no momento em que o growl desaparece e se ouve “open your eyes…”, as nossas expectativas acabam defraudadas. Depois o tema volta a acelerar com o regresso dos guturais, para logo a seguir voltar a quedar-se pelo registo menos apelativo.

“Changes” procura trazer algo de novo, mas quando esperávamos um tema que concentrasse a energia da banda e que surpreendesse com uma aposta mais incisiva na dimensão mais brutal do universo de THIRDSPHERE, somos confrontados com um tema de inspiração mais melódica.

Depois de ouvirmos “Fire” sentimos que apesar de musicalmente consistente, este trabalho não vai além dessa mediania, visto que as músicas se esgotam em rápida sucessão sem que se note uma cabal afirmação da identidade original de cada uma delas, ficando quase sempre, nos ouvidos, uma leve sensação de redundância.

Texto por Rui Carneiro