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Thurston Moore – The Best Day

Thurston Moore é um dos guitarristas mais reconhecidos da sua geração; junto com Lee Ranaldo, seu companheiro nos agora extintos Sonic Youth, re-inventaram o rock alternativo e o seu estilo inconfundível influenciou mais músicos e aspirantes do que é possível contar.

Para além de um legado invejoso com a sua banda de sempre, o músico ainda se pode orgulhar de um projecto paralelo respeitável, os Chelsea Light Moving e uma carreira a solo cuja última paragem, Demolished Thoughts, já de 2011, mostrou um lado mais “despido” de Moore numa beleza acústica e íntima que conquistou fãs e crítica.

Agora, em The Best Day, o guitarrista volta a proteger-se atrás de paredes de ruído e distorção para editar um disco que transborda Sonic Youth nos seus riffs etéreos acompanhados com secções de puro barulho inconfundível e os vocais característicos do músico que ora parece desligado da música, ora geme com emoção na mesma faixa.

Além de psicadélico, é também um cd experimental, sendo rara a música que se fica por menos de 5 minutos e ainda mais rara aquela que é facilmente acessível e single óbvio, sendo um disco que merece a nossa atenção redobrada para o entendermos e absorvermos verdadeiramente; e a questão é: será que vale a pena? A resposta é mais ou menos (ou então “sim”, só por ser Thurston Moore).

O álbum arranca de forma impressionante com “Speak To The Wild”, faixa “pára-arranca” que poderia estar presente num dos melhores cd’s da banda de sempre de Moore, assinalada por guitarradas incansáveis e um controlo impressionante do poder de explosão; segue-se ainda “Forevermore”, uma ode romanticamente agridoce, cujo refrão “That’s why I’ll love you forevermore/That’s why I want you forevermore” nos agarra com a sua urgência, numa voz embargada de emoção que dificilmente não remete para o passado recente tumultuoso do músico (separação com Kim Gordon ditou o fim dos Sonic Youth).

No entanto, a partir daí, somos infelizmente confrontados com mediania: “Tape” tenta pegar na fórmula mais delicada que Moore explorou no álbum anterior, mas soa banal, enquanto que “Detonation” pede de forma inconsequente a uma rebelião que puxa o lado Punk do músico, mas sem chama suficiente.

E este acaba por ser o principal problema do álbum, quando o guitarrista parece querer livrar-se da sua frustração e com isso incitar a algo, sem saber muito o quê, acabando por povoar The Best Day com faixas que tentam soar a Sonic Youth, mas ficam-se pela mediania, como é o caso da olvidável final “Germs Burn”, sendo a excepção “Vocabularies”, que pelo tom atmosférico e parcialmente emprestado de Demolished Thoughts conquista.

Resumindo, onde o cd anterior incitava suavidade e mágoa, The Best Day tenta usar como combustível a rebelião e a raiva, mas a verdade é que, à parte algumas boas “malhas”, encontramos um Thurston Moore demasiado conformado e preso no hábito do seu próprio ecletismo para nos entregar o prometido.