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To give or not to give… …To give

O que significa “dar demais”?

A resposta a esta pergunta vagueia entre o ambíguo e o inexplicável.

Se dar é um acto voluntário, como é que se pode “dar demais”?

É um facto que o altruísmo é a forma mais saudável de egoísmo, mas se assim é estaremos a ser egoístas demais ao ansiarmos interferir na felicidade dos outros?

Existem paralelismos dessa necessidade controversa nos mais variados campos e situações conjunturais da nossa vida, mas vou tentar focar-me num tema em particular, a arte.

Conheço muito poucos momentos em que conseguimos ser totalmente transparentes e absolutamente verdadeiros como no acto de criar.

Os poros abrem-se como nunca, somos só nós e o molde de um sentimento que irradia pelas veias, umas vezes através de um veículo condutor extra corporal, outras vezes projectado pela nossa própria voz, um elemento inato e singular com características de interpretação mais familiares.

Durante todo este processo estamos de facto a dar algo de nós e muitas vezes a partilhar com outros uma genuinidade que é facilmente assimilada e até compreendida.

Será essa partilha nefasta?

Estaremos a expor-nos demasiado perante o julgamento público?
Estaremos a “dar demais”?

Eu prefiro acreditar que o “dar” sem restrições emocionais e até filosóficas terá obrigatoriamente eco à escala planetária, a única coisa que precisamos é de dar o primeiro passo.

Durante anos cumpri o meu papel enquanto artista, enquanto músico, hoje encontro-me do outro lado, do lado daqueles que tentam a todo o custo fazer chegar às pessoas o fruto dessa paixão, dessa necessidade intrínseca de expressão que teima em ser libertada.

Recentemente tive a oportunidade de trabalhar com uma das minhas bandas favoritas, os The Bellrays, e a Lisa Kekaula(uma das vocalistas mais extraordinárias que já tive o prazer de ouvir e conhecer) disse-me ao 2º dia de concertos “You’re doin’ a great job!” ao que eu lhe respondi “I’m doing the best I can!” e estava de facto a fazer o melhor que podia e sabia, dei tudo de mim para que eles se sentissem em casa e para que pudessem também eles dar tudo em palco.

Será esse então o significado de “dar demais”?

Lutarmos para que a felicidade de outros se conjugue com a nossa?

Pois bem, eu decidi que continuarei a dar mais de mim enquanto tiver forças e a ser um altruísta/egoísta consciente.

A vida é demasiado curta para continuarmos a ignorar uma das maiores virtudes da humanidade…a generosidade.