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Vader + Hate + Shredhead [Paradise Garage, Lisboa]

Talvez por estarmos no início de dois meses infernais com concertos quase todas as semanas, o concerto da ultima quinta-feira de março esteve longe de ter boa casa e o ambiente nem parecia digno de um concerto de duas bandas já com muita história dentro do death metal.

Confirmados a uma semana do concerto, os Israelitas Shredhead foram a banda escolhida para abrir uma noite que tinha tudo para ser grandiosa, mas que acabou por ficar uns furos abaixo do espectável. Dizer que estavam 100 pessoas durante a atuação dos Shredhead é capaz de ser exagero, para o cartaz em questão seria de supor maior afluência, mesmo na primeira banda, mas isso não desanimou a banda israelita, deram tudo o que tinham ao intercalarem músicas dos seus dois únicos álbums, “Human Nature” de 2011 e “Death Is Righteous”, a mais recente proposta da banda lançado este ano.

Em cima do palco a energia foi muita durante o concerto todo, mas na zona reservada ao publico parecia que se estava a reservar energias para mais tarde, por muito que o vocalista Aharon Ragoza puxa-se pelo publico não havia forma de haver movimentos. Mesmo sendo muito desconhecidos, eles tem um som genérico dentro do death/thrash metal, um género que tem vindo a ganhar muita fama e força por cá vendo a quantidade de bandas nacionais a explorarem essa sonoridade, mas foi preciso Aharon descer do palco para junto do publico para se juntarem cinco figuras para uns empurrões e não passou disso. No todo foi um concerto sólido e bastante energético para uma banda ainda muito jovem – formaram-se em 2009 – e mereciam um público com mais vontade.

Quando os polacos Hate subiram ao palco para destilar o seu blackened death metal, o Paradise Garage ficou mais bem composto. Vindos de Varsóvia, a banda liderada por Adam “ATF Sinner” Buszko, deu de longe o melhor concerto da noite. No público ouviram-se comparações com Behemoth, tanto a sonoridade como a terra mãe liga as duas bandas, mas a comparação acaba por ser injusta, tirando a (enorme) quantidade de membros que já por lá passaram, os Hate sempre foram uma banda muito ativa e com a sua própria identidade.

Com um álbum lançado este ano, “Crusade: Zero”, seria de esperar muitas músicas vindas desse mesmo registo, mas fomos enganados, a banda sabe o rico catálogo que tem e presenciou-nos com malhas dos seus vários registos. Além das “Valley of Darkness” e “Rise Omega the Consequence!”, tiradas do novo trabalho, ainda se ouviu, a faixa-titulo “Erebos”, “Alchemy Ov Blood” do fantástico “Solarflesh – A Gospel of Radiant Divinity”, “Hex” do sublime “Anaclasis – A Haunting Gospel of Malice & Hatred”, ‘Threnody’ do álbum “Morphosis”, entre outras, os Hate deram uso a tudo o que tinham.

Fica para o fim uma nota de destaque para o jovem baterista Paweł Jaroszewicz que se juntou á banda o ano passado e que foi um autêntico polvo por detrás da bateria durante a atuação da banda, com apenas 29 anos já colaborou com diversas bandas, mas a que mais se destaca na lista são a banda que iria tocar depois, nada menos que os Vader com os quais gravou o álbum “Welcome to the Morbid Reich”.

Que dizer do concerto de Vader, uma das maiores instituições do death metal e até do metal em geral, sempre foram muito ativos, gravaram muitos registos de qualidade e o seu último trabalho até está dentro da qualidade mínima apresentada pela banda, mas ao vivo a energia parece que não passa para o público.

Piotr “Peter” Wiwczarek continua a figura emblemática que toda a gente conhece e tem à sua volta um grupo talentoso de músicos, mas talvez por haver pouca comunicação ou de as músicas de Vader cada vez menos se destacarem e soarem todas iguais, o concerto foi na sua maioria, desculpem a palavra, secante.

A sala lisboeta já estava mais bem composta no final da noite, mas não passou da meia casa. O concerto em si começou bem com algumas músicas do mais recente trabalho, “Abandon All Hope” e “Go to Hell” mostraram que o publico conhecia “Tibi Et Igni” lançado o ano passado. Algum mosh no início mas a coisa não durou muito, rapidamente cada pessoa ficou no seu espaço e só em mais uma ou duas músicas, “Dark Age” do mítico “The Ultimate Incantation” sendo uma delas, é que o publicou se lembrou que estavam perante os Vader.

“Helleluyah!!! (God Is Dead)” foi a última música da noite e as saudades não vão ser muitas, na ultima passagem dos Vader pelo nosso país, em 2011 a abrir para Gorgoroth, a banda esteve em melhor destaque. Sem encore, fomos deixados com a “The Imperial March” que John Williams compôs para a saga Star Wars.

Texto: Marco António Pires | Fotografia: Marta Louro
Agradecimentos: Prime Artists

Marco António Pires

Sou amante da música em geral com gostos mais virados para o metal, mas estou sempre disposto a ouvir coisas novas!