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Vagos Open Air 2015 [Dia 3]

Último dia do festival e novamente mais um dia recheado de grandes concertos.

Foi debaixo de uma onda de calor que os Midnight Priest e o seu heavy metal deram início ao terceiro dia do V:O:A. Com apenas 30 minutos disponíveis e com destaque no mais recente trabalho da banda, era impossível num concerto de Midnight Priest não figurarem as músicas “Rainha da Magia Negra” e “À Boleia Com o Diabo”, que pelo que se viu e ouviu, tinha muita gente no público que sabia as suas letras. Por entre faixas como “Into The Nightmare” e “Made Of Steel”, Lex Thunder continua a provar que foi a escolha certa para ocupar o lugar de vocalista.

Marcado pela curiosidade do muito público que já se encontrava no recinto, e também pela direta que a banda tinha em cima ao não conseguir dormir entre viagens, o concerto dos Ne Obliviscaris começou com pequenas falhas de som que se dissiparam em poucos minutos e isso permitiu que realizassem um dos melhores concertos da edição deste ano do V:O:A. O concerto começou pela música “Devour Me, Colossus (Part I): Blackholes”, primeira faixa do mais recente álbum da banda, “Citadel”.

“Of Petrichor Weaves Black Noise” fez a viagem ao registo de 2012, “Portal Of I”. Nesse momento o recinto ia enchendo cada vez mais. Quem ainda não estivesse rendido á qualidade do sexteto, bastou a (mesmo) grande “Painters of the Tempest (Part II): Triptych Lux” para acabar com as dúvidas. Para concluir, “Pyrrhic” pavimentou o caminho para o grande final – a música preferida deste escriba – “And Plague Flowers the Kaleidoscope”, que foi interpretada na perfeição. A banda ficou contente com a receção ao ponto de o seu vocalista/violinista, Tim Charles, descer do palco e fazer crowdsurf.

Depois do concerto aconteceu algo que merece ser registado. Assim que acabou o concerto a correria foi muita para a banca de merchandise para comprar t-shirts e CDs, os Ne Oblivicaris iam fazer sessão de autógrafos a seguir, tanto para fãs de longa data, como fãs após o concerto. A fila foi enorme, a sessão durou mais uma hora do que o previsto, e até houve pessoas que não tiveram autógrafos porque a sessão teve que acabar pois os Alestorm estavam à espera. Para uma banda de ‘meio da tabela’ é um feito incrível.

Os escoceses Alestorm facilmente agarraram o público com algumas das suas músicas mais emblemáticas dentro do tema pirataria, “Walk the Plank”, “Shipwrecked” e “Nancy the Tavern Wench”. Quem não os conhecia facilmente viu o rumo que a coisa ia levar como se toda a gente estivesse num barco pirata a celebrar mais uma pilhagem bem-sucedida.

Os seguranças tiveram dificuldades para domar tanta confusão. Ignorando o calor que se sentiu durante o dia e ao som das músicas sobre bebida, “Drink” e “Rum”, o público deixou-se levar pela onda. No regresso às tendas para recuperar energias o sentimento foi unanime. Em termos de mosh, crowdsurf e festa, o concerto dos Alestorm foi de longe o melhor da edição deste ano.

Inicialmente estavam confirmados os Halestorm, mas a banda liderada pelos irmãos Lizzy Hale e Arejay Hale, viu-se forçada a cancelar. A confirmação dos Alestorm teve tudo de positivo, além de a banda ter brincado com a situação no seu facebook oficial com uma montagem sobre os Halestorm, os piratas do metal tiveram de longe a melhor receção possível e durante a sessão de autógrafos a brincadeira continuou quando o seu vocalista, Christopher Bowes, usou uma tshirt de Halestorm.

Já cá vieram várias vezes em salas, agora a curiosidade seria para ver como se iriam comportar num festival ao ar livre e os Orphaned Land responderam da melhor maneira com uma mistura entre músicas do seu mais recente álbum, “All is One” e outras dos álbuns anteriores “Mabool” e “The Never Ending Way of ORWarriOR”.

Se o concerto dos Alestorm foi mesmo para a loucura, o dos Orphaned Land foi numa onda mais festiva, com a faixa-titulo do último álbum a dar início ao concerto. Contagiantes como são as suas músicas, a banda facilmente pôs o publico a cantar durante o final da “The Kiss of Babylon (The Sins)” e durante a “In Thy Never Ending Way ”. Antes de tocarem a singela “The Simple Man”, o vocalista Kobi Farhi, fez a sua introdução habitual, desta vez com um pequeno trocadilho, “I’m not Jesus Christ, because I’m not a virgin, I’ve a lot of sex!”

Os Orphaned Land continuam a ganhar fãs por onde passam, facilmente contagiam quem os vê ao colocarem toda a gente a bater palmas, a cantar e a saltar, como se viu nas músicas “Birth of the Three (The Unification)” e “Olat Ha’tamid”. Antes de uma “Sapari”, que pôs quem conhecia a cantar, foi tocada a “Let The Truce Be Known” que fala sobre um momento importante da história da humanidade: as tréguas que existiram durante o Natal de 1914 na Primeira Guerra Mundial.

Como é habitual em todos os concertos da banda israelita, Kobi Farhi fez o normal pedido de união antes de tocarem “Norra El Norra (Entering The Ark)”, que mais uma vez pôs muita gente a saltar. Com o solo da “Ornaments of Gold” fizeram-se as devidas apresentações da banda e um último coro de despedida. Para outubro estarão de volta para um concerto em acústico no Cinema São Jorge.

Além de terem vindo a Portugal em novembro do ano passado, os Overkill já tinham estado na edição 2012 do V:O:A, talvez por isso desta vez não houve o mesmo entusiasmo da parte do público. Bobby Ellsworth continua a acusar a idade e cansaço de tantos anos na estrada, cada vez que podia lá se deslocava a uma das laterais do palco para recuperar forças. Mas isso em momento algum o abrandou e impediu de cantar na perfeição músicas como “Electric Rattlesnake”, “Ironbound” e o clássico “Rotten to the Core”.

A banda debitou sempre um thrash metal eletrizante, mas os níveis de intensidade no mosh nunca foram muito grandes – pelo menos comparando com o concerto de 2012. A recente “Bring Me the Night” e a já velhinha “Horrorscope” lá aguentaram os últimos resistentes. Para o fim a habitual cover “Fuck You”, original dos The Subhumans. Soube a pouco.

O concerto dos Bloodbath foi sem dúvida o concerto mais esperado da edição deste ano. O supergrupo sueco que conta na sua formação com elementos dos Katatonia e Opeth, e que já contou com a colaboração dos vocalistas Mikael Åkerfeldt (Opeth) e Peter Tägtgren (Hypocrisy), tem sido um dos nomes forte dos death metal nos últimos anos. Agora com Nick Holmes (Paradise Lost) na posição de vocalista e com o registo “Grand Morbid Funeral” no bolso, foi finalmente a vez de se estrearam em Portugal.

Para os que viram Nick Holmes com os Paradise Lost na edição do ano passado, ninguém esperaria vê-lo neste tipo de registo vocal. Entre algumas músicas que ele gravou com os Bloodbath como “Let the Stillborn Come to Me”, “Anne” e “Unite in Pain, e outras gravadas pelos seus antecessores, “So You Die” e “Cancer of the Soul”, só para citar algumas, Nick aguentou-se bem com o seu gutural rasgado. Sempre no centro do palco, foi um excelente frontman muito comunicativo.

‘Fardados’ com a habitual imagem sanguinária, a banda de “Stockholm and West Yorkshire”, lançou tudo o que podia dar, mas talvez por ser o último grande concerto deste ano no V:O:A, não houve muita movimentação no público além dos normais headbangs. O concerto teve o seu apogeu na favorita “Eaten” e encerrou com “Cry My Name”. Ao contrário de outros concertos desta edição do V:O:A, no final do concerto dos Bloodbath as opiniões foram muito divididas, uns acharam que não puxou muito, outros não gostaram da voz do Nick e houve quem achou ter presenciado um dos melhores concertos do festival.

Para dar por completa esta edição do V:O:A ainda vieram os Ironsword como convidados especiais. Os Lisboetas já contam com 20 anos de carreira e o concerto no Vagos Open Air mostrou uma banda coesa mesmo já não atuando em Portugal há 8 anos. Foram poucos, mas bons, os que ainda ficaram até ao final da noite após três longos dias de concertos e muito cansaço. Com destaque para o álbum lançado este ano, “None but the Brave”, foram tocadas as músicas. “Kings Of The Night”, “Vengeance Will Be Mine”, “Forging the Sword” e ”Ring Of Fire”, só para citar algumas. No final, Tann, guitarrista/vocalista, ainda tocou o refrão da música “Beginning of the End”.

Para finalizar, como já foi dito, grande edição, provavelmente a melhor. Parabéns à organização e que venham mais cartazes igualmente bons. Até pro ano!

Texto: Marco António Pires
Agradecimentos: Prime Artists | VOA

Reportagem do Dia 1 | Reportagem do Dia 2

Marco António Pires

Sou amante da música em geral com gostos mais virados para o metal, mas estou sempre disposto a ouvir coisas novas!