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Vivemos rodeados de música…

Vivemos rodeados de música…

Nos telemóveis, no rádio dos carros, centros comerciais, no leitor de MP3, a música está sempre presente em qualquer altura da nossa vida.

Desde os primeiros dias que a temos como companhia. Antes de nascermos, ainda na barriga já a ouvíamos, crescemos a ouvir as canções de embalar cantadas pelos nossos pais…

O consumo da música hoje em dia tornou-se de tal forma massivo que ouvimos e gostamos de tudo um pouco. Já não ouvimos apenas aquelas bandas e géneros de referência dos inícios nestas andanças.

Podemos dizer que é um pouco por falta de ensinamento dos nossos pais, embora muitos tenham aprendido a gostar com o irmão, o primo, o tio ou até com o namorado da irmã, para aquilo que é bom, e feito com emoção e suor, sem isso, apenas aprendem aquilo que os amigos ouvem, e como forma de se integrarem, vão atrás e perdem-se daquilo que mais gostavam.

Temos concertos e festivais todo o ano, uns agradam a todos, outros apenas parte… há outros ainda que não vale a pena discutir, porque vai do critério de cada um. O que é certo é que cada vez mais temos festivais de Rock com menos peso que o nome do festival.

Apesar dos muitos concertos e festivais de Metal, têm cada vez menos público, os festivais são cada vez mais e a qualidade, não que esteja a decrescer, mas com a pouca afluência torna-se mais complicada a selecção de bandas devido aos apoios que são dados a este género musical.

Longe vão os tempos em que podíamos ver no mesmo palco de um festival grande, bandas como Moonspell, Megadeth, Scorpions… esperem, quase que acabei de descrever o Rock In Rio… mas não! Descrevi apenas um festival de 3 dias em 1996, em que o dia Metal contou ainda com os Anger e os Cradle of Filth (envoltos em polémica). O Rock In Rio tem decerto um dia dedicado à música extrema, e este ano calhou aos Queens of the Stone Age e aos Linkin… calma, vamos com calma, já estou a dizer barbaridades… Um dia que já teve Metallica, Slipknot, Megadeth, Sepultura, até Kreator a tocar no palco Sunset, agora tem Linkin Park como banda principal do dia de “Metal”?

Há muitos anos atrás fez furor um festival que marcou a estreia dos Hypocrisy em Portugal, assim como os Gorefest, os Grave e os Cradle of Filth (a causarem grande sensação), o Ultra Brutal…

O Super Bock Super Rock que nos deu, em tempos áureos, Nefilim, Paradise Lost… o Optimus Alive com Lamb of God… este ano… nem uma única banda de Metal.

Há quem diga que o Vagos Open Air é O festival de Metal.. e isso é tremendamente subjectivo. Temos outros festivais com dimensão elevada, como o Areeiro, o Steel Warriors Rebellion e a emergir cada vez mais o Santa Maria Summer Fest, que ainda este ano nos trouxe os grandes Extreme Noise Terror e tem feito por evoluir a cada passo e claro, vimos um grande festival que nos deu muitas alegrias perder-se por motivos incertos, e claro, não nos podemos esquecer daquele que começa as festividades de cada ano, o Mangualde Hard Metal Fest.

Cada um com o seu defeito, cada um com o seu maior valor, mas todos com uma grande “falha”, os apoios.

As empresas hoje em dia querem patrocinar com pouco e receber o triplo… preferem ter lucros absurdos a pensar no bem estar..

Ter o Vagos Open Air ou o SWR com apoio do Continente? Porque não? O público vai acampar, faz compras para o festival… pois, eu sei que é bonito dar uma opinião ou sugestão, mas… não faz todo sentido?!

Continuamos a pensar na mesma como o típico português… “é o que há… é pró que está!”

O típico metaleiro dos anos 80/90 há muito que não existe, e também não existe porque a diversidade musical é muito maior que na altura, se bem que o revivalismo esteja mais do que patente nos dias de hoje.

Hoje, o “metaleiro” é advogado, médico, polícia… antes também os eram, mas em menor escala.

O público português é dos melhores no Mundo, e falo tanto como músico como espectador, o tratamento que damos às bandas estrangeiras, assim como às portuguesas, é do melhor que pode haver, e em muitos sítios me senti desvalorizado com a falta de motivação que nós cá em Portugal damos a bandas portuguesas e estrangeiras. Público apático existe em todo os lado, mas alguns, abusam… ou até tiram curso para tal!

Mostramos o que é acolher bem e temos carinho pelas bandas que nos enchem o coração, nos dão alegrias, que nos tiram da tristeza… isto agora foi lamechas, mas muitos vão dizer que tenho razão e perceber o que quero dizer com isto.

Não conseguimos comparar os nossos festivais com os estrangeiros.

Dimensões absurdas, uma afluência de público descomunal, umas férias para muitos, mas… e em termos de qualidade e diversidade musical?

Será que não valeria a pena apostar um bocadinho mais nas bandas e não pensar num festival de grande dimensão como um negócio?

Festivais onde a cerveja é boa e barata e a música “não tem preço” porque as bandas que lá estão só se conseguem ver.. quando calha!

Portugal também tem sido destino frequente de algumas bandas que parecem ter descoberto o paraíso.. e não o digo por mal.. apenas, as organizações parecem não conhecer mais bandas e apostam sempre na mesma selecção (a parecer uma equipa de futebol que está constantemente a perder por colocar em campo a equipa B) e depois perdem público e ainda se perguntam porquê.

Há cada vez menos público nos concertos e festivais. Há quem prefira gastar 20€ num fim de semana de copos, e desgraçar-se completamente, e dizer que não tem dinheiro para ir ver um bom concerto.

Sempre faltaram bares de metal ou que passassem Metal a sério e a horas decentes.. eles existem! Principalmente onde existe uma maior concentração de pessoas, as capitais, mas o culto por este estilo de música prende-se pelo old school, porque… a “nova escola”.. não tem dinheiro para sair, e o pouco que tem, guarda-o para os concertos e festivais, ou o novo disco da banda favorita, que hoje em dia são às dezenas!

Por mais estranho que pareça, o facto de existirem cada vez mais bandas é bom, se isso significasse uma maior afluência aos concertos..

É bom que apareçam cada vez mais projectos entre bandas, mas projectos diferentes, não todos iguais a soar ao mesmo que fazem numa ou noutra banda de onde os elementos são provenientes. Faltam ideias novas? Ou será que as pessoas ficaram demasiado “quadradas” e já não apostam em coisas diferentes só porque… A, B ou C não vai apreciar e isso causa mau impacto?

Vivemos um pouco de coisas pré-definidas, com padrões demasiado standard, óbvios e obsoletos.

Há quem arrisque com coisas más e o resultado final agrada a milhares só porque… estamos todos a viver em formato padrão e vamos atrás uns dos outros e já não conseguimos pensar por nós próprios.

Temos medo de ouvir e mostrar as coisas que ouvimos fora de casa só para não sujar a “imagem”.

Estamos a viver muito de aparências, e nem tudo o que reluz é ouro…