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We Were Promised Jetpacks – Unravelling

Originários da Escócia, os We Were Promised Jetpacks (WWPJ) ganharam atenção no meio do Indie Rock graças à sua contagiante “Quiet Little Voices”, que se tornou um fenómeno radiofónico e os moveu para a linha da frente do rock alternativo britânico.

Agora, ao terceiro álbum, os músicos já são uma banda mais madura e consolidade e, sobretudo, sem medo de inovar e experimentar com novas sonoridades, algo que se vê na perfeição em Unravelling, que é não só o cd mais completo da banda, como o melhor até à data.

A adição de Stuart McGachan aos teclados e terceira guitarra foi uma óptima decisão por parte dos WWPJ, pois permite um som mais encorpado e com “brincadeiras” de teclados que conferem maior profundidade às suas texturas melódicas, como se pode ver pelo belo efeito nas excelentes “Peace Sign” ou  “Peaks and Troughs”.

À semelhança do que se passou com os Arctic Monkeys, a banda escocesa largou um pouco a sua abordagem enérgica e adolescente dos primeiros cd’s e, mantendo os seus tons dançáveis, amadureceu, ganhando em introspecção o que os “macacos” ganharam em sensualidade, optando por faixas menos explosivas, mas mais catárticas, como é o caso da eclética “Peace of Mind”, com o seu crescendo desde guitarras inofensivamente clean até um final apoteótico a lembrar a dinâmica do Post-Rock, ou da melancólica “Moral Compass”, cuja linha de baixo “industrial” e voz emotiva conquistam à medida que as guitarras tímidas vão tecendo melodias delicodoces, no melhor momento do álbum.

No entanto, para quem pensa que os WWPJ ganharam esta nova faceta a custo da sua identidade familiar, que se desenganem, pois em Unravelling também ocorrem momentos “clássicos” da banda, seja através da abertamente indie “Safety in Numbers” ou da “mexida” “A Part of It”, cuja energia contagiante e ritmo dançável parecem adequar-se mais à estação que já passou do que ao frio que se avizinha.

Finalmente, há que reservar ainda uma palavra para os momentos mais lentos do álbum, seja através da negra “Disconnecting”, que através da sua aura soul e melancolia presente parecem trazer à memória os momentos mais reflexivos dos Queens of the Stone Age (aquele falseto não engana), ou a final “Ricochet”, balada movida a piano de contornos clássicos, mas com uma percussão gingona que combina assim emotividade com o desejo de tirar os pés do chão, encerrando Unravelling da melhor fora.

Pontos fracos? “I Keep It Composed” promete mais do que aquilo que acaba por entregar, mas a verdade é que, depois de ouvir o cd na globalidade, isso não passa de um pormenor diluído por entre grandes músicas que mostram um amadurecimento e desejo de exploração bem conseguidos por parte dos WWPJ, naquele que é o seu melhor disco e promete fazê-los “descolar”.