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Weezer – Everything Will Be Alright In The End

Já com mais de duas décadas de actividade, os Weezer são muitas vezes apontados ao lado de nomes como Sunny Day Real Estate para o papel de pioneiros da música Emo, com os seus ganchos “açúcarados” que piscam o o olho à Pop, ao mesmo tempo que as suas letras emotivas e pessoais lhes conferem uma maior profundidade, como no seminal Blue Album.

No entanto, a última década parece ter retirado algum fulgor à banda americana, cujos lançamentos discográficos não ultrapassaram o mediano e pareceram retirar-lhes a relevância que os anos 90 lhes tinham conferido, como uma das grandes bandas para os miúdos “mais ou menos” incompreendidos, tornando-se em mais uma banda para fazer banda-sonora a filmes americanos adolescentes.

A primeira coisa que notamos no novo cd é uma torrente de auto-depreciação e pedidos de desculpas aos fãs, seja através da letra nostálgica da catchy “Back To The Shack” (Sorry guys I didn’t realize that I needed you so much/I thought I’d get a new audience, I forgot that disco sucks/I ended up with nobody and I started feeling dumb/Maybe I should play the lead guitar and Pat should play the drums) ou da irónica “Eulogy for a Rock Band”, exercício de auto-pena que francamente não fica bem a uma banda que deveria ter mais dignidade que isto, mesmo em jeito de piada.

A fórmula mantém-se a do costume, com muitos riffs entre o Pop e o Punk, sempre bebendo da inesgotável fonte de inspiração do rock alternativo dos anos 90 (a viciante “Lonely Girl” poderia ter saído de qualquer cd dos Pixies), vocais tão emotivos como monocórdicos e um Rivers Cuomo em modo guitar hero (o solo na memorável “Cleopatra” é delicioso) fazem as honras da casa, acertando quase tantas vezes quanto falham, ora soando característicos, ora gastos.

Onde “Da Vinci”, com o seu ritmo dançável e assobio contagiante parece conseguir competir com a era dourada do Blue Album, a faixa-título soa apenas formulaica e cansativa e se “The British Are Coming” é um flirting interessante com tonalidades mais épicas, a peça final dividida em três actos (“The Waste Land/Anonymous/Return To Ithaka”) é apenas inconsequente e parece fundir-se apenas numa música excessivamente longa e forçada.

Desta forma, os fãs de Weezer dificilmente ficarão desapontados com o novo álbum, que reflecte a sonoridade clássica de uma banda que já acusa a idade e precisa urgentemente de uma injecção de frescura e/ou inovação, porque não basta querer repetir os primeiros cd’s durante 20 anos.