free website stats program

Wolf Alice – My Love Is Cool

Seria errado manter os Wolf Alice no rótulo enganador de sucessores dos Hole que lhes vem sido atribuído; se é verdade que a banda londrina é claramente influenciada pelo fenómeno Grunge que emergiu de Seattle, sobretudo pelos Nirvana e sobretudo em encarnações anteriores (entendam-se os EP’s) e é liderada por uma mulher de voz ora insinuante ora brava de nome Ellie Rowsell, não se pode negar que na sua estreia em longa-duração a banda vai muito além disso e cultiva a sua identidade muito para lá das influências que lhes dão forma.

Imersos no sucesso da brilhante “Moaning Lisa Smile” (aqui disponível apenas para alguns sortudos, isto é, americanos), a tal música pseudo-revivalista dos anos 90 inspirada num episódio dos Simpsons, havia muita curiosidade para ver a direcção que o conjunto iria seguir e é uma alegria dizer que o caminho escolhido é entusiasmante e muito além da nostalgia, mas nunca sem esquecer as influências dos músicos.

Os Nirvana estão aqui claramente representados, com a climática “Giant Peach” a trazer de imediato ecos de “Drain You”, mas a verdade é que os Wolf Alice parecem ser mais amigos do Grunge de contornos experimentais de uns Sonic Youth (aquelas explosões distorcidas na fantástica “Lisbon” não enganam), Smashing Pumpkins (“Daydream” ressoa na delicada “Swallowtail”, cantada pelo guitarrista Joff Odie) ou em última instância e talvez de forma mais pronunciada, Pixies (aquele controlo de dinâmica entre melodia e explosão de “You’re a Germ” não engana), mas nem só de Seattle se faz a banda.

Há aqui uma clara admiração também pelo Post-Punk e pelo Indie Rock de sabor Folk de uns Coldplay em início de carreira ou até uns flirts sinuosos com electrónicas envolventes (“Bros” tem secções que trazem Grimes à memória e “Freazy” é um pecaminoso hino de finais de Verão em tons psicadélicos) que combinam na perfeição com o lado mais agressivo da banda, que toma o seu expoente máximo na furiosa “Fluffy”, muito devido ao fio condutor que é a voz de Rowsell, alternando sem dificuldade entre a doçura Folk e explosões dignas de um Kurt Cobain feminino de forma a que todo o disco não deixe de fazer sentido.

Com tudo isto seria de esperar que a banda acabasse por se perder entre tantas influências e, se a verdade é que há um momento mais desinspirado (“Silk” parece nunca descobrir bem o que quer ser, nos seus recortes de balada épica que soa deslocada do restante CD), todo o álbum soa coeso pelos esforços de uma secção rítmica nunca exuberante, mas sempre impecável.

Desta forma, os Wolf Alice pegaram nos rótulos já impostos, expandiram-nos e mandaram-nos às urtigas, fazendo um disco refrescante, universal e ainda assim abrasivo, mas sobretudo entraram na luta pelos melhores títulos do ano com este esforço.