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Wolfmother – Victorious

Depois da aclamada estreia com o registo homónimo em 2005, que viu nova energia injectada no Hard Rock com toques de Blues que marcou o Rock nos anos 60 e 70 com elementos do revivalismo de garagem da altura, os Wolfmother pareceram cada vez mais preguiçosos e interessados em prestar homenagem aos seus ídolos do que fazer música relevante e os seus álbuns seguintes não fizeram História, trilhando caminho agora com o novo Victorious em que apenas Andrew Stockdale se mantém como elemento, na voz e guitarra.

Para os fãs da banda ou apenas os mais nostálgicos, Victorious será de certeza um disco competente, talvez até bom (embora nunca essencial), pois mantém-se fiel à fórmula de sempre, destilando riffs que ora se colam a Black Sabbath (a inicial “The Love You Give”, que peca por demasiado curta) ou a Ozzy Osbourne na sua carreira a solo (“Baroness” é dos melhores momentos do disco e parece cruzar a lenda do Metal com Smashing Pumpkins), com muito Guns N’ Roses pelo meio (“City Lights” ‘transpira’ “Paradise City” com riffs de Strokes a adoçar), trazendo a nostalgia do melhor Hard Rock de raízes em Blues ao de cima, sobretudo quando a voz de Stockdale nos remete ora para Ozzy ora para Robert Plant.

No entanto, exactamente por todas as comparações que fizemos assim, é difícil destacar faixas de Victorious que não sejam mais do que uma versão revivalista de glórias do passado, encontrando muito pouco que dê uma identidade própria aos Wolfmother, independentemente de serem tributos bons (“The Simple Life” é uma música de contornos “Zeppelianos” de impôr respeito), assim-assim (“Best of a Bad Situation” pega no lado melódico da banda e encontra conforto na sensibilidade dos Beatles e os inescapáveis Guns N’ Roses, mas nunca sai da banalidade) ou maus (“Pretty Peggy” é uma das baladas mais insonsas que ouvimos nos últimos tempos).

Stockdale continua igual a si mesmo, com uma voz inimitável que pareceu ela própria feita para tributos a lendas do Hard Rock, mas na guitarra parece algo cansado e até preguiçoso, reciclando riffs (a faixa-título cansa depressa) ou ‘cuspindo’ guitarradas desinspiradas (“Happy Face” é do mais genérico que pode haver) com momentos de génio muito espaçados e sempre marcados por uma sensação excessiva de familiaridade (excepção feita à fantástica “Eye of The Beholder”, a encerrar o álbum em grande).

Desta forma, Victorious é um disco de Hard Rock razoável, mas que pouco ou nada faz para evitar a tendência dos Wolfmother de se recostarem em terrenos confortáveis e levarem o seu espírito revivalista demasiado a sério, até um ponto que perderam completamente a identidade.