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Mastodon [Coliseu, Lisboa]

Imaginemos o típico português, o mesmo que vai a todos os jogos do Benfica e se chama qualquer coisa como, Manuel ou José. O senhor, com bigode, e uma queda de cabelo acentuada, devido à idade: era este o centro do palco, com John Sherman na bateria. Um senhor, que passaria despercebido no nosso Rossio, se não fossem as tatuagens.

Red Fang teve essa postura toda a noite, a de sabedoria e idade. Uma banda americana de Heavy metal com ainda apenas, dois projectos. Tocaram cerca de nove temas, entre eles, “Why”, “Good to Die” ou “Hank is Dead”. A parte instrumental foi o que prendeu o público à atmosfera musical, visto que tecnicamente, a voz estava com imensas falhas, muito baixa comparativamente ao resto dos instrumentos, o que dificultou a percepção do que era dito por parte da banda, assim como dificultou que existisse ainda, maior feedback do público.

No entanto e num panorama geral, embora o sangue estivesse quase em erupção por todos os poros possíveis, com a ansiedade por Mastodon, Red Fang deu um excelente concerto, e a plateia ergueu os braços e cantou durante pouco mais de meia hora de concerto, entusiasmada e em sintonia com a banda.

 


Eram 22h quando o pano desceu com a capa do mais recente álbum de Mastodon: The Hunter e como é de esperar, no Coliseu o ambiente tornou-se inquieto e agitado. Parecia que ainda agora era Setembro, e nos tinha chegado aos ouvidos este novo projecto dos já eternos Mastodon, no entanto, tinha passado tempo suficiente para os termos cá, e para todas as letras estarem decoradas.

Agora não era a aparência lusitana do baterista que sobressaia mas sim a sua bateria, preta e branca às bolinhas, e uma guitarra com um braço prateado, que brilhava, à espera de Brent Hinds. Quando entraram em palco, os corações dispararam e as conversas paralelas subitamente pararam.
Desta vez o som estava todo ele equilibrado, o que permitiu que a letra fosse toda ela perceptível. Não houve uma postura propriamente íntima relativamente a banda – público. As palavras eram escassas, e a música foi definitivamente, o que reuniu aquelas pessoas ali. Abriram com “Dry Bone Valley” e tocaram seguidamente, “Black Tongue” e “Crystal Skull”. Ao longo do concerto foi fácil perceber, que embora não existisse uma comunicação verbal, todos eles transpiravam palavras.
Transpiravam mensagens pela forma como agarravam a música, pela forma como mexiam o corpo consoante aquilo que tocavam. Olhavam para o público, e falavam, com riffs, batidas e letras profundas, como em “All the Heavy Lifting”. O panorama cromático revertia-nos para a imagem criada em torno do The Hunter.

O amarelo o verde e o vermelho, curiosamente, as cores que são nossas, que nos compõem enquanto portugueses, foram as mesmas que protagonizaram em palco. Brann Dailor foi quem mais, gestualmente, puxou pelos fãs. Erguia as baquetas ao ar, e pedia mais, mais agitação, mais vontade. Cá em baixo ouviam-se pedidos de temas, no ar. Ao fim da noite tínhamos uma setlist composta por vinte e três músicas, sendo a última “Creature Lives”, cantada em conjunto com os integrantes da banda de abertura, Red Fang.

Ao fim de cerca de uma hora e meia de concerto, as luzes acenderam-se e os corpos cansados, arrastavam-se, satisfeitos pelo concerto, e com a sensação de preenchimento. A sensação que se transporta no peito, sempre que termina um concerto: que estamos felizes e preenchidos.


Texto por Marta Guerreiro | Fotografia por Rui Miguel Pedrosa
Organização por Everything Is New