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Moita Metal Fest [Dia 2]

O primeiro dia foi curto, mas deixou mossas em muito do público que no segundo dia demorou a aparecer e o concerto dos Mindtaker, que começou à hora indicada, foi presenciado por cerca de 50 pessoas. Tocando um heavy/thrash metal, género cada vez mais popular entre a nova geração de músicos, “Fuck Off”, “Destruição Total” e “I’m the Kid”, foram algumas das músicas tocadas pela banda de Évora que deu tudo de si e mostra-se preparada para os grandes palcos, tendo já tocado no Évora Metal Fest e já tem presença confirmada para o SWR Barroselas e para o Mosher Fest.

 

Ainda a promoverem o disco “Lugubrious Cacophonous” lançado no início do ano passado, os don’t disturb my circles não mataram muito a cabeça e tocaram o aclamado disco na íntegra. Por entre caminhos que vão desde o post-hardcore até o hardcore punk, o conjunto lisboeta fez de tudo para agradar o público que ia chegando aos poucos. Despertando a atenção dos que não os conhecem, faixa como “Debris” e “Harsh” fizeram as delícias de alguns fãs que se fizeram representar.

 

Com os Martelo Negro veio o degredo, death, black, thrash, speed, a banda lisboeta mistura tudo e mais alguma coisa nas suas músicas onde se destacam os títulos “Servos da Cúspice” e “Liturgia de Excrementos”. Já com a Sociedade Filarmónica Estrela Moitense bem composta, foi meia hora de concerto sempre a rasgar que ainda contou com a participação de Carina Domingues, vocalista dos Disthrone na música “Hierofante Em Chamas” e finalizou com “Sob os Cascos de Satã”.

 

Regressados ao ativo no final do ano passado, os Ho-Chi-Minh deram um concerto aguardado por muitos. A banda de Beja, Baixo Alentejo esteve em pausa durante uns tempos, regressando ao ativo no final do ano passado e já se encontram a gravar músicas novas, enquanto não temos isso disponível, a banda de metalcore recuperou algumas músicas antigas como “Way Of Retain” e “I Hope You Never” do disco “It Has Begun” que já data de 2009. Que venha de lá esse registo.

 

Os também regressados Grankapo continuam a acumular quilómetros antes de regressarem ao estúdio para gravarem um novo trabalho. Com destaque nas duas músicas novas, “Won’t Fall Down” e “Burn”, o concerto do conjunto de hardcore foi mais um que provou que o regresso deles foi bem recebido e que se aguarda com antecipação o novo trabalho. O clássico “We’ll Never Die” foi bem recebido como sempre e “Grankapo” fechou em beleza os 30 minutos disponíveis.

 

O concerto dos Dementia 13 começou tímido, mas com o passar do tempo, o público perdeu a timidez e lá se encontraram no centro da sala dando origem a muitos moshes e até stage dives. Intercalando entre o EP “Tales for the Carnivorous” e o disco de estreia “Ways of Enclosure”, o grupo do Porto mostrou-se coeso, mesmo sabendo que a banda não é o foco principal dos seus membros que desempenham funções noutras bandas, o baixista Zé Pedro toca nos Grunt e Holocausto Canibal e os restantes tocam nos Pitch Black. Foi um concerto de grindcore como mandam as regras, curto, rápido, barulhento e com muito caos ao som de músicas como “Dark Urges” e “There Are Those Who Kill Violently”.

 

A celebrar os 30 anos de carreira e com disco novo na bagagem, os WEB regressaram ao Moita Metal Fest, onde já tinham atuado em 2013. Sem pausa para jantar, foi notório que muito público escolheu esta altura do dia para ir comer. “Everything Ends” foi lançado o ano passado e os nortenhos, praticantes de thrash metal, tocaram algumas das suas músicas, casos de “Vendetta” e “God of Nothing”, sem claro esquecer os clássicos “Resilient Casket” e “Death My Enemy”. 30 anos e ainda tanta energia? Que venham mais 30.

 

Nova dose de hardcore, desta vez com os Hills Have Eyes. Ainda a sofrerem um pouco por causa do jantar de muito público, foi um concerto intenso com muita energia do início ao fim e mais um em que a banda em questão lançou disco novo recentemente. “Antebellum” ainda é jovem, mas os fãs da banda já conhecem as suas letras como se pode ouvir em “Answers In Blood”, “The Bringer Of Rain” e na faixa-título.

 

Tal como os Web, os Simbiose também já têm uns quantos anos nas pernas, são 25 anos a fazer crust punk em grande destaque na cena nacional. Com um álbum recente, não faltaram algumas músicas desse trabalho como “Ignorância Colectiva”, “Acabou a Crise, Começou a Miséria” e a faixa-título “Trapped”. O mosh foi muito e os que queriam tentar outras coisas, tiveram no vocalista Johnie uma ajuda preciosa para subirem ao palco e fazerem stage dive enquanto o mesmo cantava as letras de “Drowning in Shit” e “Modo Regressivo”. No meio de uma set longa, cujas músicas eram de pouca duração destaque para “Terrorismo de Estado”. Para o fim “Belive” e “Parados, humilhados e Calados!” do disco “Economical Terrorism”.

 

Conhecidos por falarem de hospitais e cirurgias nas suas músicas, como se pode ver nos casos de “Traumageddon” e “Treasures of Anatomy”, os espanhóis Haemorrhage, vestidos a rigor com batas de enfermeiros, ensanguentados e usando em palco pernas e cérebros de plástico (ou eram verdadeiros?), causaram o caos do início ao fim. O mote já tinha sido dado nos concertos anteriores e o público estava sedento por mais mosh e foi isso que se conseguiu ao som das músicas “Flesh-devouring Pandemia”, “Esquisite Eschatology” e “Dissect Exhume Devour”.

 

O concerto de The Parkinsons teve de tudo, desde dança, a mosh, crowdsurf, stage dives e acabando em nudez em palco, foi um concerto em que valeu tudo. A lendária banda de Coimbra, que conta com uma grande base de fãs no Reino Unido e que regressou ao ativo há pouco tempo após uns anos de hiato, fez as delícias dos fãs de sonoridade punk e mostrou que o regresso era há muito esperado por muitos. Ao som das músicas “Too Many Shut Ups”, “Body & Soul” e “Nothing to Lose”, só para citar algumas, o vocalista fez Afonso Pinto vários stage dives. “New Wave” e “So Lonely” encerraram um concerto que bem podia durar mais duas horas que ninguém se ia importar.

 

Coube aos Tankard a honra de fechar a edição deste do Moita Metal Fest. Anunciados à entrada na edição do ano passado durante o levantamento dos bilhetes, o regresso dos Tankard a Portugal era há muito aguardado e este concerto vai ficar para a história, durante uma hora os alemães, amantes de cerveja, não deram descanso, “Zombie Attack” logo no início foi uma autêntica descarga de energia e criou um grane circle pit que foi crescendo ao longo do concerto. Das dezenas de pessoas que figuraram no centro da sala, eram raros os que não sabiam pelo menos os refrões das músicas que iam sendo destiladas. “Rapid Fire (A Tyrant’s Elegy)”, do disco “A Girl Called Cerveza“, foi a música de amor da noite e “Rules for Fools” ditou as regras para o resto do concerto que ainda contou com a música “Die With a Beer in Your Hand” antes do encore. Pequena pausa para mais umas cervejas. “Metal to Metal” e “A Girl Called Cerveza” fecharam em grande, não só um grande concerto, como, para muitos, a melhor edição do Moita Metal Fest.

Texto: Marco António Pires
Fotos: Igor Ferreira
Agradecimentos: Switchtense/Moita Metal Fest

Moita Metal Fest [Dia 1]

Marco António Pires

Sou amante da música em geral com gostos mais virados para o metal, mas estou sempre disposto a ouvir coisas novas!