Moita Metal Fest [Dia 1]

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Decorreu nos dias 1 e 2 de abril, na Sociedade Filarmónica Estrela Moitense, mais uma edição do Moita Metal Fest. De ano para ano é notório o crescimento que o festival tem tido, a juntar às várias bandas de qualidade do nosso underground, cada vez mais temos bandas estrangeiras a figurar no cartaz e este ano, em ambos os dias, estiveram nomes de peso da cena mundial como são os casos de Entombed A.D. e Tankard.

Foi dia de Benfica-Braga, se a hora de ponta na cidade de Lisboa já é o que é, então com este evento prestes a decorrer, as entradas e saídas da cidade estavam um caos, mas nada que impedisse a viagem para o outro lado do rio Tejo para mais uma edição do maior festival da margem sul. As animosidades começaram com os Hotkin, que com pouco público presente, lá foram destilando o seu hard rock ao som das músicas “Do it Again” e “Let me Hold You”. 30 minutos agradáveis para as primeiras pessoas que foram entrando no recinto.

 

O sexteto Sunya veio mostrar o seu rock alternativo presente em “Missing Piece”, disco de estreia lançado em outubro do ano passado. Já com o recinto bem composto, talvez porque lá fora já se sabia que o Benfica ganhava por três golos o Braga, os seus adeptos ficaram mais descansados e vieram finalmente para dentro curtir os concertos. Com a vocalista Kaddy Xavier a ter grande presença em palco, o grupo lisboeta deu tudo de si indo desde “Stamina” do novo trabalho até aos primórdios da banda com “Picture of You”, lançada nas primeiras demos.

 

Vieram depois os Neoplasmah e o seu death metal técnico/espacial. Cada vez mais teatrais e liderados por Sofia Silva na voz, o conjunto de músicos, que pertencem a outras bandas conceituadas da cena nacional, chegaram e mostraram a quem ainda não os conhecia do que valem ao som de músicas como “Enter the Void of Spectral Velocity” e “Stargate to Infinity”, retiradas dos dois discos que a banda já editou. Dia 16 de abril vão ao RCA tocar esses mesmos discos na íntegra.

 

Os For The Glory não são nenhuns desconhecidos dos metaleiros nacionais, mesmo sendo pertencentes ao movimento hardcore. A banda lisboeta é presença assídua nos festivais de metal em Portugal e o Moita Metal Fest já é quase que uma paragem obrigatória. Por entre faixas como “110”, “Dark Times”, “Some Kids Have no Face” e “All The Same”, os FTG deram mais um concerto energético sem dar descanso aos presentes no centro da sala com direito a uma música nova pelo meio. Para o fim, a habitual “Survival of The Fittest” e a promessa de um disco novo para o final do ano.

 

Hora de um dos concertos mais aguardados do primeiro dia, com a banda da casa a apresentar o seu mais recente disco “Flesh & Bones”. Já não há muito mais que se pode dizer que ainda não se tenha dito sobre os Switchtense, quando atuam em casa, a festa é mais que garantida. O concerto começou com a faixa de abertura do disco “All or Nothing”, em relação ao novo trabalho, se em estúdio soa a mais um grande disco como pudemos ouvir durante a semana, ao vivo, músicas como “Super Fucking Mainstream” e “Six feet underground” são verdadeiras descargas de energia que ao lado dos já clássicos “Face Off” e “Into the Words of Chaos”, vão tornar-se em novos hinos da banda da Moita. Foram 40 minutos de muito mosh e stage dive e quando se pensava que o concerto tinha chegado ao fim com a “Infected Blood”, os Switchtense aproveitaram os últimos segundos que ainda tinham disponíveis e tocaram mais uma música nova, “Monster”, a faixa mais curta do novo trabalho.

 

Para fechar o dia vieram os Entombed A.D.. A reencarnação dos míticos Entombed, que acabaram em 2014, já tinham vindo atuar a Portugal no ano passado no SWR Barroselas, e agora foi a vez da zona centro do país merecer a visita dos suecos que trouxeram na bagagem o mais recente trabalho, “Dead Dawn”. O concerto começou morno ao som das músicas novas “Midas In Reverse” e “Dead Dawn”, mas rapidamente a história mudou de rumo quando vieram os clássicos “Living Dead” e “Revel in Flesh”, fazendo o público dar início a vários stage dives e a muito mosh. O primeiro dia do festival estava a chegar ao fim mas ainda restaram forças até a chegada da faixa-título do mítico “Left Hand Path”. A banda ainda saiu por momentos do palco, regressando para um encore em que das músicas tocadas, destacou-se “Chief Rebel Angel” do disco “Morning Star”. A noite acabou com os membros da banda e o público a cantar a música “In League With Satan” dos Venom.

Texto: Marco António Pires
Fotos: Igor Ferreira
Agradecimentos: Switchtense/Moita Metal Fest

Moita Metal Fest [Dia 2]