Morbid Spring Fest [RCA, Lisboa]

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No passado dia 16 de Abril, o RCA Club recebeu o Morbid Spring Fest. Primeira aventura em organização de eventos da Stone The Crow – Productions, foi prometida uma noite dedicada aos fãs de variados subgéneros, e não desiludiram.

Os concertos iniciaram-se com Trepid Elucidation. Mantendo-se no seu registo, é visível o progresso da banda, conseguindo atingir cada vez mais os géneros que sempre tiveram como inspiração. Com Diogo Santana na voz, também guitarrista de Analepsy, a noite foi iniciada numa nota técnica mas agressiva, que fez lembrar sonoridades como Gorguts. Músicas como “Diminished Into a Spacetime Interval” fizeram o público começar a preparar-se para uma noite daquilo que melhor se faz no underground. Com cada vez mais concertos na bagagem, Trepid Elucidation é banda a não perder.

Os BurnDamage apresentam-se num tom quase cinemático, para de seguida atacarem o público com o seu groove/death metal. Desde 2011 com uma vocalista, Inês Freitas cativou desde o início toda a plateia com a sua vivacidade e vocais agressivos, que em conjunto com a energia de todos os outros membros da banda fizeram esta actuação excelente. Tocando não só o já conhecido EP, estes apresentaram várias músicas do seu novo álbum, “Age of Vultures“, com lançamento previsto para Setembro. Títulos como “Refugees” e “Total Chaos” fizeram um público algo disperso, aproximar-se e ambientar-se melhor ainda.

Já os Moonshade fizeram finalmente a sua estreia em Lisboa, trazendo do Porto o seu death metal melódico. De longe a banda que mais cativou o público naquela noite, a energia em palco e primazia técnica fez com que ficar indiferente fosse complicado para os fãs do género. Já com a sala bem composta, e um trabalho de luz em palco a salientar, Moonshade apresentam-nos os seus primeiros trabalhos, mas também o último EP “Dream | Oblivion” de 2015. Não se cingindo aos clichés deste género, estes conseguem solidificar o seu som com a atenção ao detalhe. “Goddess Eternal” para terminar a actuação foi uma excelente forma de finalizar um concerto igualmente bom.

Para fim o grande destaque do evento, os Neoplasmah e o seu alinhamento especial. Provavelmente devido a horários de transportes, foi notória a diferença de público em relação aos outros concertos, mas quem decidiu não ficar até ao fim não sabe o que perdeu. Com uma actuação sem qualquer falha a apontar, entregaram o já costumário death metal técnico/cósmico pelo qual são conhecidos, tanto pelos excelentes músicos que compõem a banda, assim como os vocais agressivos da Sofia. Este foi um concerto pensado para os die-hard fãs da banda, e assim foi. Tocando trabalhos de ambos os seus álbuns, estes mantiveram a sua já conhecida consistência, e não deixaram o público descansar até ao fim. O melhor fim para uma noite do género.

É raro ver uma organização tão cumpridora de horários e tão eficaz no seu trabalho. A Stone The Crow está de parabéns, assim como todas as bandas que aceitaram o convite. Para ficar de olho nos próximos concertos, definitivamente!

Texto: Inês Simões Lopes | Foto: Marta Louro
Agradecimentos: Stone The Crow – Productions