Reportagem | Oozing Wound + Ricardo Martins [Musicbox, Lisboa]

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Após a passagem pelo Milhões de Festa, os Oozing Wound voltam a Portugal com três datas, no Musicbox em Lisboa, no Cave45 no Porto, e no CCOBar em Barcelos. A primeira aconteceu na passada Quarta-Feira, dia 23 de Novembro e contou com Ricardo Martins como opening act.

Talvez o nome Ricardo Martins seja desconhecido a alguns no entanto, ele já calcorreou, e bem, a cena experimental nacional como baterista de Adorno, Lobster e Cangarra e colabora frequentemente com Jiboia e Filho da Mãe. Atualmente encontra-se atrás da bateria dos Papaya, banda post-punk mas nesta noite apresentou-se sozinho acompanhado apenas de alguns beats que enchiam o pouco que poderia ser deixado por preencher por uma exímia técnica rítmica que contagia uma sala com pouco mais de quarenta pessoas. Interessante e cativante, é assim que podemos definir tanto atuação como sonoridade: a percussão é acompanhada de gravações feitas, segundo o próprio Ricardo Martins, nos últimos meses e são rematadas com improvisação na bateria. No fim temos ainda um “lamento, estava a precisar de me lamentar” descrito desta forma pelo baterista onde podemos ouvir alguma voz, uns gritos se assim se pode chamar.

Após um curto intervalo e já com um público maior, não chegando às 100 pessoas, os Oozing Wound sobem ao palco do Musicbox. “Whatever Forever”, lançado a 14 de Outubro deste ano mostra-nos uma banda com sede de sangue, com um enorme leque de referências que brilhantemente misturam numa cacofonia de pura loucura que vai do sludge ao punk passando pelo hardcore — cada riff, cada nota que sai do baixo, cada batida que é dada colocou-nos perto da surdez e ninguém se queixou! É difícil encontrarmos uma banda que neste momento sobressaia dentro de alguns panoramas musicais que têm cada vez ganho mais destaque sendo a caixa onde estão arrumados os géneros mais alucinogénios sejam eles para “javardar” ou algo mais calmo e soothing no entanto, os Oozing Wound são daquelas bandas que trazem a lufada que precisávamos de toda a parafernália doom, sludge, stoner, etc, que invade festivais em solo nacional e internacional e quem esteve presente decerto concorda com isso.

Texto e foto: Marta Louro