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Xxxapada na Tromba – Freak n’ Grind Fest: 1º Dia [RCA, Lisboa]

Decorreu no passado fim-de-semana em Lisboa a última edição do Xxxapada na Tromba – Freak n’ Grind Fest, sendo a segunda edição e com um dia extra em relação à edição anterior, é notável o rápido crescimento de um festival que para este ano ainda vai contar com mais uma edição indoor no final do ano em parceira com o festival Pax Julia Metal Fest e com uma open air de três dias na Figueira da Fox durante o verão. Para 2017 também já está agendado o regresso da edição de Lisboa com os BenightedGutalax e os Hideous Divinity já confirmados.

Tal como o ano passado, os Shoryuken, banda cujo vocalista é o organizador do festival, teve as honras de abrir o festival. Mesmo sendo 17h de uma sexta, o RCA já tinha algumas dezenas de pessoas presentes prontas para ouvir músicas com os títulos sugestivos de “Sonic Boobs” e “Alice in Snuffland”. Com pouco ou quase nenhum movimento no centro da sala, o concerto decorreu com as Thrash Circurs Girls a protagonizarem um pouco de espetáculo sensual enquanto a banda tocou a “Your Ass Is Mine” dedicada às mulheres presentes e “Ravenous Blanka” que contou com a participação de Bugs, vocalista dos Analepsy. Para o fim “Chun Li Bukkake” e “Fuck All The Bitches”, que venha de lá esse registo de estreia.

Quase a lançar um novo disco estão os Brutal Brain Damage, banda cujos elementos também dividem funções com os Analepsy e Estarrabaço, fizeram questão de dar um cheirinho do que vai estar presente em “Bang Bang Theory” através da faixa-título e da música “Hit The Head”. Antes disso a banda tocou uma set focada no disco de estreia lançado em 2012, “Brain Soup”. “You Must Die” e “Shit Happens” foram algumas músicas que causaram os primeiros circle pits do festival. Na “Spit Fire”, Bugs, vocalista dos Analespy, foi mais uma vez chamado ao palco. Para o fim ficou “Cum on My Shoulder” e “Vibratossauros”, músicas presentes no split com PussyVibes e “Javali” da demo “Borderline Syndrome”.

De Castelo Branco vieram os Dead Meat que ao vivo apresentaram-se apenas com o vocalista e dois guitarristas. Aproveitando o ímpeto deixado pelos Brutal Brain Damage, o brutal death metal nortenho foi contagiante q.b. para conseguir uns quantos circle pits ao som de “Good Clean Cut” e “Died With Open Eyes”. Pelo meio uma cover de Dying Fetus da música “Kill Your Mother Rape Your Dog” com a participação de Diogo Santana dos Analepsy e Trepid Elucidation. Foram 30 minutos agradáveis numa altura em que o RCA já se encontrava cheio. Nota de destaque para o vocalista Dinis que nos restantes concertos, e principalmente no dia seguinte, esteve presente na maioria dos concertos a fazer diversos stage dives em que alcançava sempre grandes alturas.

Os Guineapig chegaram e rapidamente puseram o público num circle pit ao som de “Defoliation Bacilli Bomb”. O trio italiano de brutal death metal veio apresentar o disco de estreia lançado em 2014, “Bacteria” e por entre incentivos como ‘come on caralhos’, a banda lá conseguiu puxar pelo público. As músicas “Coccobacilli Shotgun” e “Terminator Mosquito” bem tentavam, mas via-se que muita gente presente já andava a fazer contas à vida sobre onde ia jantar. No geral foi um concerto agradável para abrir o apetite.

Vindos da terra do grindcore mas praticantes de um brutal death metal a cheirar a slam, os Epicardiectomy subiram ao palco às 21h em ponto e tiveram a infelicidade de levar com um RCA a meio gás. As batidas de slam do registo “Putreseminal Morphodysplastic Virulency” de 2014 mostraram os muitos fãs presentes durante os vários circles pits a meio tempo.

Os Grog encontram-se a gravar um novo álbum e aproveitaram o Xxxapada Na Tromba para mostrar um pouco da podridão que se avizinha com as músicas “Gut Throne”, “Uterine Casket” e “Savagery”, vendo o caos que causaram, é esperado com ansiedade o novo trabalho. Com muito mosh ao som de músicas bem conhecidas como “Assapiens”, “Hanged by the Cojones” e “Anal Core”, o concerto dos Grog foi mais uma devastação que toda a gente sabe e conhece. Para o fim uma versão mais curta dos já famosos ’15 minutos à Benfica’ com “Cannibalistic Devourment/Blood in my Face”, “Fellowship of the Shaved Balls” e “Barbie Doll” para os últimos moshes.

Os Dead Infection já são uma autêntica instituição do grindcore ao contarem com 25 anos de carreira, a banda polaca há muito que era esperada pelo público português desde a última visita e a resposta viu-se no centro da sala. “Adolf the Cat”, “Death By The Master-Key” e “Let Me Vomit” deram origem a uns quantos circle pits enquanto as belas Thrash Circus Girls faziam mais uma aparição no palco.

Os Lividity e o seu brutal death metal foram o momento mais esperado da primeira noite e ninguém saiu defraudado, a estreia em Portugal foi o que se esperava com bastante mosh desde o início e com a banda americana a destilar algumas das suas melhores músicas como foram os casos da faixa-titulo do disco “Used, Abused and Left for Dead”, “The Urge to Splurge” e “Surround by Disgust”. Os níveis de intensidade na sala foram aumentando de música para música até que a certo ponto as atenções viraram-se para centro do palco com duas strippers a fazerem as delícias do público masculino. Com o RCA a rebentar pelas costuras e com muitos fãs presentes a ostentarem a tshirt que a banda mandou fazer de propósito para o festival, os Lividity deram tudo de si sem esquecerem “Engorged With Blood (To Fill You With My Semen)” e “T.L.C. (Tight ‘Lil Cunts)” que finalizou este mítico concerto.

Coube aos italianos Ultimo Mondo Cannibale fecharem a primeira noite com o RCA neste momento estava a meio gás, com muita gente a se ir embora para recuperar energias para o dia seguinte, mas os que permaneceram fizeram a festa com a banda que se apresentou com máscaras de wrestling mexicano. Com balões no ar e com as strippers que estiveram presentes no concerto dos Lividity, o pouco público aderiu ao som de “Wakamezake” e “Shitbag Bitch”, esta última a registar o último grande circle pit da noite.

Reportagem do 2º dia.

Texto: Marco António Pires
Fotografia: Marta Louro
Agradecimentos: Xxxapada Na Tromba/Sérgio Páscoa

Marco António Pires

Sou amante da música em geral com gostos mais virados para o metal, mas estou sempre disposto a ouvir coisas novas!