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Xxxapada na Tromba – Freak n’ Grind Fest: 2º Dia [RCA, Lisboa]

Os nortenhos Extreme Retaliation tiveram a árdua tarefa de abrir o primeiro dia, quando a banda subiu ao palco quase que dava para contar com os dedos das mãos as pessoas presentes RCA, algo que veio a mudar com o passar do concerto. “Right to Live… & Right to Die!” e “Tools” foram algumas das músicas que a banda de grindcore tocou nos 30 minutos disponíveis.

Os austríacos Condylomata Acuminata foram confirmação de última hora a substituir os espanhóis Himura e digamos que acabaram por ser um dos momentos do festival, se a música em português do Dragon Ball GT como intro não foi suficiente para começar a festa, um homem vestido de mulher a saltar do palco depressa deu início a um pequeno circle pit que quando demos por nós já lá estavam algumas dezenas de pessoas a participar juntamente com o vocalista da banda e ao som de músicas como “Taking a Shit in the Cunt of a Molested Prostitute” e “Extreme Rancid Baby Torso Fuck”. Apenas munidos de um vocalista e guitarrista devido ao baixista não ter podido viajar, foi pedido ao público os serviços de alguém com técnica suficiente para tocar com um baixo insuflável, ao que foi prontamente respondido a tempo da “Putrid Necrosis INfected Pussy Juice”. A festa foi imensa do início ao fim num concerto de 30 minutos que seguramente não será rapidamente esquecido.

De Espanha vieram os Rato Raro com os seus quase 25 anos de carreira apresentar o disco “Moleculeccosedelia” lançado em 2014. A banda de Palência em Castela e Leão e que o ano passado veio tocar ao SWR Barroselas, deu tudo de si e comtemplou o público com um concerto energético. Mosh foi a palavra de ordem ao som de músicas como “Cafré Escoces Conn Gotas de LSD”, “Sangre y Orín” e “Drogueria de Barrio”.

Os Analepsy têm sido a coqueluche do metal nacional desde que se formaram em 2013 graças a concertos explosivos em que exploram ao máximo o seu slam death metal. O ano passado lançaram finalmente o seu registo de estreia, o EP “Dehumanization by Supremacy” e sendo praticamente uma banda da casa, a resposta do público já era conhecida com muito mosh. Sem muito por onde escolher, as músicas eram as esperadas como as “Colossal Human Consumption” e “Post Incubation Period”. O concerto acabou com “Genetic Mutations” que contou com a participação de Sérgio Afonso, vocalista dos Bleeding Display.

Os Bleeding Display não são desconhecidos de ninguém e os mais de 10 anos de carreira são mais que suficientes para mostrar como se espalha o caos. Com o aquecimento feito no final do concerto dos Analepsy, Sérgio Afonso esteve em excelente forma a cantar as músicas “Dark Passenger” e “Deprivation” do último trabalho da banda que já data de 2014. Os lisboetas não deram tréguas a ninguém e pior ficou quando chutam cá para fora “Suffer the Children”, cover de Napalm Death que fez estragos no centro da sala. “Remains to be Seen” com participação de Inês Freitas, vocalista de Burn Damage, deu por encerrado um dos concertos mais explosivos desta edição do Xxxapada na Tromba e abriu o apetite para o jantar.

O concerto dos Clitgore começou com meia casa, talvez devido ao pouco tempo que houve para jantar, mas rapidamente e ao som de músicas como “Anal Party” e “Gore Gang Bang”, o RCA lá se foi compondo e começaram os primeiros movimentos num circle pit divertido. Zé Pedro, conhecido baixista dos Holocausto Canibal e Grunt foi convidado a tocar durante a música “Impetigo” e o convite acabou por se prolongar à próxima música, “Pu-Pu-Pu, La-La-La”. Durante o concerto ficou registado mais um momento cómico no centro da sala, com algumas pessoas do público juntamente com os membros dos Condylomata Acuminata a fazerem um mini happy circle pit em volta de uma miúda, roubando sorrisos a todas as pessoas que repararam no que estava a acontecer. “The Final Cuntdown”, faixa-título do disco de estreia e uma paródia à música “The Final Countdown” dos Europe, foi tocada antes de deixarem para o fim um pequeno tributo a Lividity com uma cover da música “Pussy Lover”.

Já tínhamos tido o concerto mais animado com os Condylomata Acuminata, com os Gronibard veio o concerto mais caricato desta edição do Xxxpada na Tromba. Conhecidos por alguns membros atuarem despedidos (um dos guitarristas toca completamente nu e o baixista apenas usa tanga), os franceses adeptos de homossexualidade aproveitaram a festa começada pelos Clitgore, mas por muitos pedidos que fossem feitos não foram capazes de atrair homens para o palco, as Thrash Circus Girls ainda apareceram, mas naquele momento a noite era dos homens. No público era o que se esperava ao som das músicas “La raie de mon cul c’est une trousse à bites”, “Crippled Bitch” e “Nuggets No Glory”, há muito esperados em Portugal, era natural a grande receção que tiveram.

Seguindo a temática do disco de estreia “Obra Ó Diabo!!!”, o concerto dos Raw Decimating Brutality  foi uma autêntica betoneira, mas daquelas antigas já com alguns parafusos a menos e que treme por todo o lado, isto serve para descrever perfeitamente a confusão instalada na sala, tanto tivemos os maiores stage dives de Dinis de Dead Meat, como até vimos Pedro Pedra, vocalista dos Grog, a fazer stage dive durante a música “Fluido Vaginal”. Os clássicos “A Massa Gretou-me a Mão”, “A Palete Passou-me A Arrasar” e “Limpei o Cu a Um Saco de Cimento”, só para citar alguns, foram mais que suficientes para levar o público ao rubro e esquecer o concerto que vinha depois. Com novo disco prestes a ser lançado, já foi possível ouvir algumas malhas novas como “Eterno Cro-Magnon Solsticial”, “Ressurgimento Do Indígena Serrano”, “Trono Nocturno Do Matarruano” e “Enterra o Visigodo”. “As Portas Vieram Trocas”, música que retrata o frustramento de ir ao Ikea e trazer o produto errado não foi esquecida. Para o fim, “Obra Itinerante” e “Andaime Infernal” não deram descanso a ninguém. Fica a pergunta, foi o melhor concerto do Xxxapada 2016?

Nome forte da edição deste ano, os finlandeses Rotten Sound vieram e a devastação foi imensa do início ao fim. Forçados a cortar a set em quase 20 minutos, a banda que veio a Portugal dar o seu último concerto antes de entrarem em estúdio para gravar um novo álbum, entrou em palco em modo automático, mas com o passar do concerto lá se libertaram e partiram para um concerto arrebatador. Focado no muito aclamado “Cursed” lançado no longínquo ano de 2011, o concerto dos Rotten Sound ainda contou com duas músicas novas, “Lazy Asses” e “Solution”.

Foram dois dias cheios de concertos e a noite já ia longa, mas ninguém arredou pé para assistirem ao concerto dos Serrabulho. Após uma intro com a “Imperial March” da saga Star Wars e uma cover de Cat Stevens do tema “Father and Son”, a festa rapidamente instalou-se ao som de “Pornocchio” com serpentinas a voar de uma ponta à outra da sala. Por entre músicas como “Don’t Fuck With Krusty” e “Disgusting Piece of Shit”, o concerto dos Serrabulho contou com muitos convidados, Gino the Party Mosher cantou na “Lèche Moi Les Couilles” e Sérgio Páscoa, vocalista dos Shoryuken cantou na “Life of a Penis” e tocou bandolim na “B.O.O.B.S.” enquanto membros das outras bandas faziam a festa em cima do palco. Do início ao fim do concerto ninguém mostrou cansaço, por entre mosh, circle pits e dança, o concerto dos Serrabulho encerrou de uma maneira perfeita esta dose dupla de Xxxpada reservando para o final as músicas “Caguei na Betoneira” com a participação de Paulo Gonçalves, vocalista de Shadowsphere e “Cripple Bitch”, cover de Gut, com a ajuda de Alessio das bandas SpermbloodShit e GuineaPig, que resultou numa invasão e palco. No verão será em versão open air, apareçam.

Reportagem do 1º dia.

Texto: Marco António Pires
Fotografia: Marta Louro
Agradecimentos: Xxxapada Na Tromba/Sérgio Páscoa