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Alter Bridge – The Last Hero

Os Alter Bridge atingiram o pico da sua carreira com o quarto álbum, Fortress, de 2013, em que largaram de vez as raízes do Post-Grunge que desde a estreia punham cada vez mais para trás das costas (talvez para se distanciarem dos Creed, banda do final dos anos 90 de onde vieram todos os membros à excepção do vocalista Miles Kennedy, conhecida de forma infame pelas suas baladas foleiras e cópias chapadas dos Pearl Jam) para se assumirem como um titã do Hard Rock de contornos metaleiros.

Composto enquanto Kennedy viajava com Slash e o guitarrista Mark Tremonti andava em digressão para promover o seu álbum a solo mais recente, The Last Hero bebe muito da actual inquietação política a nível mundial e tem uma clara mensagem social que pede mudança e apela à revolução com urgência, sendo sem dúvida o disco menos pessoal e mais activista que os músicos já gravaram.

A temática de intervenção está patente nas letras e no tom dramático das composições, inflamado pela voz sempre em grande de Kennedy, patente em momentos que só podem ser apelidados de épicos como o single “Show Me a Leader”, “Losing Patience” ou a final faixa-título, disparando riffs atrás de riffs sem nos dar descanso e mostrando a vontade implacável de Tremonti exibir o seu talento, revelando a excelente forma de um dos melhores guitarristas actuais.

No entanto, todo este ataque constante acaba por tornar o disco numa experiência cansativa, em que as músicas se transformam quase num assalto sonoro que não nos dá espaço para respirar e apreciar verdadeiramente o que estamos a ouvir, transformando a urgência da sua mensagem num exercício bombástico que não envolve o ouvinte tanto como o sufoca.

Ainda assim, é com o pé no acelerador que a banda se porta melhor, com o poder de faixas como “Poison In Your Veins” ou “Island of Fools” a conquistar-nos com a sua ferocidade muito mais do que a candura demasiado próxima do Pop sem sabor de baladas como “You Will Be Remembered” ou o single “My Champion”, de refrão infeccioso mas genérico; de notar no entanto a excepção que é a power ballad “Cradle To The Grave”, momento-chave de The Last Hero que combina na perfeição sensibilidade e emoção com peso e riffs ora doces ora metaleiros que mostram a banda no seu melhor.

Extendendo-se para lá de uma hora, o CD acaba por se tornar uma experiência demasiado longa e arrebatadora, sufocando-nos no seu assalto sucessivo de riffs disparados tipo metralhadora e mensagens políticas incisivas (embora pouco subtis, lembrando Muse no mais recente Drones).

Pelo contexto, The Last Hero talvez seja o disco mais importante da carreira dos Alter Bridge e sem dúvida que é uma experiência sólida com óptimas canções, além da já habitual montra de talentos da dupla Kennedy/Tremonti que será das melhores actualmente, mas devido à sua necessidade de ser bombástico em cada segundo, não nos dá espaço para respirar e apreciar devidamente os bons momentos da forma que Fortress permitia.

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